sexta-feira, 21 de maio de 2010

Caracóis com vinho branco é como... Feijoada com leite

Anteontem fui a casa do pai. Stop. Mano saiu mais cedo porque não aguentava de saudades minhas. Stop. Estava um calor do camano. Stop. Eu e mano nem pensar de ficar em casa. Stop. Com tanta esplanada por aí. Stop. Vamos ao tasco comer caracóis. Stop. E jola. Stop. E tremoços. Stop. Heis se não quando tata vê pequena tiazoca. Stop. Numa de "ai que máximo vou-me integrar com o povo". Stop. Depois de tentar pedir sushi, carpaccio e outras coisas que tal. Stop. Lá se mentalizou que só podia mesmo comer caracóis ou torresmos. Stop. "É a escolha menina". Stop. Tata observa o momento. Stop. Toda ela nervosinha com o aspecto da coisa. Stop. 'Quim da tasca pergunta se "vai uma loira geladinha". Stop. Tiazoca não entende e pede carta de vinhos. Stop. E não é que. Stop. A gaja me vai mamar caracóis. Stop. Acompanhados com torradas e vinho branco???STOP???
Nem todas podem ter a minha pinta de ter imenso estilo a curtir o castiço. É a vidding.
Stop.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pimentas desta vida, que é como quem diz eu AMO o meu pai!

Recebo um sms.
Paizão Vodafone: Pode ligar casa
Que é como quem diz: Olá querida, pode-me ligar cá para casa daí do trabalho?
Tata percebe sms e liga.
- Olá querido!
- Olá. (ronco de stress)
- Então, está tudo bem?
- (Ronco de stress) Sim, está tudo na mesma. Olhe, não lhe respondi à mensagem de ontem porque só a vi ontem à noite. (ronco de stress, aumenta ligeiramente o tom de voz e dá-me ideia que deixou de respirar desde aqui até ao ponto final desta frase) Dasssse que ia morrendo ontem, já não aguento este calor, tive que ir ao dentista pôr a merda dos dentes, que aquele estúpido, paguei-lhe para lá de uma fortuna, e aquela besta perdeu-me a merda da chave para desaparafusar os dentes, se um dia o cabrão resolve fugir pó caraças eu lixo-me e não consigo tirar a porra dos dentes (aumenta um pouco mais o tom enquanto eu torço-me em esgares em pleno open space e solto uns hum hum's), cheguei lá parecia um leitão suado que esta porra não dá para acreditar, e como estava que nem conseguia respirar pus-me debaixo da merda do ar condicionado que estava GELADO (aumenta definitivamente tom de voz, colegas olham porque ouvem através do telefone) ESTIVE HORAS À ESPERA, DEPOIS LÁ ME CHAMOU AQUELA BESTA ESCAVACOU-ME A BOCA TODA, SAÍ CHEIO DE DORES DE DENTES NÃO CONSEGUI APANHAR UMA PORRA DE UM TAXI TIVE DE VOLTAR DE METRO, UM CALOR QUE NÃO SE AGUENTA, NEM CONSEGUIA RESPIRAR CHEGUEI A CASA TIVE DE ME ENFIAR NA BANHEIRA COM ÁGUA GELADA E IR PAERA A CAMA PORQUE COMO PAREÇO UM BISONTE GORDO OS MEUS JOELHOS NÃO AGUENTAM E ESTAVA COM UMA DORES QUE PARECIA QUE UM DEMÓNIO HISTÉRICO ME ESFREGAVA BRASAS DAS COSTAS ATÉ ÁOS JOELHOS, TOU MESMO TODO FODIDO E VELHO DASSSE!
Eu rio-me sem emitir sons. Mas tenho plena noção que estou absolutamente roxa.
- Por isso olhe, não lhe respondi à porcaria da mensagem (que dizia bom dia paisinho adoro-o!)
- Está bem pai não faz mal, querido.
- E JÁ VIU ESTE CABRÃO DESTE SOCRATES???????
(Esta parte da conversa conto noutro dia qualquer que agora tenho de ir trabalhar)
(Mas basicamente o que eu queria dizer era... o meu pai é on melhor do MUNDO!!!!)
Estou numa felicidade que não me aguento... 10 seguidores e 2800 visitas (sendo que apenas 2000 são minhas...).
Obrigada leitores! Que emoção! Snif...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Eu estou a tentar concentrar-me, juro. Mas é que fecho os olhinhos por breves segundos e só consigo ver a tata de biquini mais o deus grego de fatodebain (ai jasus) e o bujix de tanguinha a correr pela praia fora...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lei do mais feliz

Nos dias que vivemos existe uma cultura ao riso. Passamos da lei do mais forte para a lei do mais feliz. Está estampado em 10001 outdoors, passa de 12 em 12 minutos na televisão, em cada série, em cada anuncio, em cada filme.
Temos de ser bem sucedidos, temos de passar férias no exterior, temos de ter quarto de visitas em casa, lareira, cozinha equipada, colégio a cima dos 500 euros mensais para as crianças. Temos de ser magros, bonitos, bem vestidos, cultos e interessantes. Temos de transbordar alegria, saúde e bem estar.
Começa a fazer falta uma homenagem ao triste. O direito à lágrima. O tempo para sentir. O preconceito contra a tristeza inunda a nossa vivência, e de repente perdemos todos o direito a chorar sem recebermos de imediato a etiqueta de "depressivos". A tristeza é a lepra dos meus dias.
Mas eu continuo a achar que só pode ser verdadeiramente feliz quem já sentiu a tristeza. Só podemos saborear de forma plena o sorriso, se nos dermos o direito a chorar quando preciso. Se não rir não sabe a nada. Aliás, sabe. Sabe a lágrima entalada.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Voltando às hormonas histéricas

Estou com medo... Muito medo.
Este fim de semana vamos para Coimbra, mas especificamente para uma terra chamada Caruncho (sim caruncho) com os amigos.
E agora voces perguntam: e???
E eu digo, e nada, até aqui tata está contente.
Ora bem, ao que parece saimos daqui amanhã à noite depois da malta toda sair do trabalho.
E vocês põem-se todos com ar de censura: ai pah, oh tata que paneleira! Tens medo de andar de carro à noite tomas um Xanax!
E eu digo, EPA CALMEX, dasssssse, xalá acabar!
Bom continuando. Então lá vão os jovens todos contentes para o Caruncho (sim caruncho), com as malas cheias de vinho, e tal. Boa disposição, perspectiva de descanso total, e... PARA TUDO (diz o deus grego da tata). Descansar??? Deves! Sábado toca a levantar a peidola da cama as 8 da manhã, rumo a um riacho qualquer para irmos todos fazer canoagem! eba! oba!
E a tata fica assim verdusca a olhar. Como? Eu? De colete? Dentro de uma canoa? Sem tabaco? Feita louca a descer uns rápidos? Eu? Que não consigo saltar ao pé cochinho que caio redonda no chão? Que levanto a carteira do chão e fico absolutamente esbaforida e sem fôlego? EU????
É. Eu. A própria da tata. Vai morrer afogada no Sábado. E era isto.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

E depois dizem-me assim: "Ah, não te sabia tão católica..."
E não sou... de facto não sou. Posso dizer que tendencialmente é para lá que me inclino. Mas assim católica mesmo, não posso dizer que sou.
Tenho fases na minha vida que sinto um vazio enorme. Um vazio sem explicação. E nesses momentos invejo a minha avó, que diz ter superado a dor de uma filha 5 anos no Caramulo com tuberculose, e de um filho meses a fio em coma, graças à fé que lhe enche o coração. Uma fé racional. Racional porque ela nunca achou que foi Deus que fez prilimpimpim e os levantou da cama. Mas foi o que ela tinha dentro de si que lhe deu forças para ser mãe com "M" grande naqueles momentos difíceis. Foi o não ter desistido nunca. Foi a entrega incondicional "àquilo que Deus quiser".
E é precisamente esse sentimento que às vezes sinto falta. Assim às vezes.
Não, não vou à missa todos os domingos.
Não, não rezo todas as noites.
Não, não me confesso nem uma vez ao ano.
Mas ontem, sozinha naquele Terreiro, cheia de calor, sem rede de telemóvel para encontrar a minha mãe, num recinto que de repente fecharam, o meu coração balançou quando o Papa entrou e toda aquela multidão ergueu as bandeiras em busca de uma esperança perdida.
E não, não foi fé que senti. Foi vontade de a ter.