sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tu ou você, heis a questão

Conversava eu com a minha grande amiga santa quando a piquena me questiona revoltada: "VAIS TRATAR A TUA CRIANÇA POR TU OU POR VOCÊ?!"
E agora metade dos meus 3 leitores fecha o blog e cá não volta nunca mais ao descobrir que esta hipótese alguma vez foi considerada. Porque é verdade. Esta é uma discussão valente entre betos e ... como é que vocês se chamam malta? Dreads? Enfim, betos e não betos. Levantam-se fervorosos argumentos, gritos, discussões que se repetem e repetem. Porque assim não há proximidade. Porque é snob. Porque é RI-DI-CU-LO. E do outro lado há quem de facto o faça por snobisse (em casa é tu sai-me da frente, na quinta da marinha no café de Sábado de manhã é o menino sossegue deixe a mãe ver os cavalos), mas também há quem o faça por hábito. E qual é o mal? E porque é que tanta gente há-de ficar zangada? Eu e a minha ROOOOOOOOOOOSA nenuca, o meu irmão mánovo, tratamo-nos você. E eu sei que assim o é porque quando ele nasceu eu queria parecer mais crescida para poder tomar conta dele, e então tratava-o por você, para lhe mostrar como era importante e capaz de lhe ensinar as coisas da vida. E depois ficou assim para sempre. Às vezes ainda tentamos mudar mas fica esquisito. Agora diga-se de passagem poucos irmãos têm a intimidade que nós temos. E não há caralhada que fique por dizer (o que efectivamente dá um ar cómico à coisa, "Não me chateie, vá levar no cu! VÁ VOCÊ!").
Voltando à questão da minha criança. Vou trata-la por tu ou por você? Epah com franqueza que não sei, é como bem me apetecer quando a vir. Uma coisa é certa. Vou amá-la sem se não...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Lisboa Domiciliária - as entranhas de Lisboa

Hoje vinha de manhã de carro para o trabalho (calma não era eu que vinha a guiar, o meu deus grego normalmente traz-me de manhã), e num dos encarnados pedi o destaque que estavam a distribuir como de costume aquela hora da manhã.
Normalmente folheio por alto, só para ver as gordas, mas houve uma imagem que prendeu a minha atenção (e ó que é difícil!). Uma velhinha, mirrada, vazia, com o resto que sobra do seu cabelo muito branquinho, muito penteadinho especialmente para a foto. A mesa antiga com bordados e fruteiras na sua frente. Os quadros antigos atrás. As paredes a precisar urgentemente de uma demão. A solidão esfregada violentamente em cada canto daquela foto. Fiquei deprimida só com uma imagem. E como o ser humano tem tendência para cuscar o deprimente, cheguei ao meu local de trabalho e fui ver melhor o que era aquilo da Lisboa Domiciliária.
Convido-vos a a ver a realidade que se esconde por detrás das janelas altas de Lisboa. Uma realidade cruel, triste e solitária. Uma realidade que nos repugna, indigna e choca. Mas que, pelo menos a mim, me fez pôr a mão na consciência... Será que andamos a dar as prioridades correctas à nossa vida?

terça-feira, 14 de setembro de 2010

XINAMEN GANDA TEXTO!

Ganda onda de depressão que se instalou no casal brasa. Até o Bujix geme baixinho de olhos esbugalhados nos donos.
Andamos feitos doidos (putaquepariu) a ver às centenas de milhares de casas. Primeiro em Lisboa. Com um Pátio para o Bujix e um quarto para o tesouro que cresce a olhos visto na minha pança. Chegamos à conclusão que definitivamente para Lisboa e com o mínimo de requinte que exigimos teriamos de matar alguém para receber alguma herançazita. E então pusemo-nos a pensar, ora em saindo de lisboa, onde se poderá instalar a maravilhosa família brasa? (repararam que não disse casal, disse família... aiquecrescida)
Ora vem lá um baby, a mãe vive no cu de judas chamado Praia das Maçãs (mas quem é que vive na Praia das Maçãs men?!), bora lá para a zona de Sintra. Pesquisa no site, faz contas de cabeça para ver quanto tempo se demora de comboio, ora um e um são dois aí vão três, OLHA-MESTA NA PORTELA DE SINTRA MOR!
- T4
- Mega Jardim
- Mega cozinha
- 5 mintuos a pé da vila de sintra
- Ao lado de um jardim de infância
- Ao lado do comboio
- Preço dentro dos parâmetros
É MÊMISTO! falamos com a agência lançamos proposta, dia seguinte liga agência (puta que pariu a senhora que não vou dizer o nome mas bronca que nem raio daquela susana, dassssse)
- Ah é que éu sou sincera tá a pecebêer? E o importante é a sinceridade, porque eu sou sincera, está a pecebêeer?
Conversa estranhíssima de horas e horas, levei mais de meia para finalmente perceber a marosca. A dona da casa queria que esriturassemos um valor baixíssimo e dessemos o restante por fora (cofcofcofparanãopagarimpostoscofcofcof). Fiquei deprimida. Deus Grego nem tanto porque não estava 100% convencido em relação à zona. Bola prá frente, então veja lá isso Susana, não se apoquente já percebemos que está indignada com o que a senhora dona da casa tentou propôr, deixe lá Susana, já percebi que é sincera veja lá mas é se nos arranja uma casinha catita que vem lá um rebento e tal.
Pronto. A história ficou por aqui com a casa da Portela (marido aliviado eu deprimidita, mas nada de grave). Marcamos para outra casa. A 2 minutos da estação de Sintra. No meio daquela maravilhosa vila. Ah vejam lá, que eu sou sincera (putaqueapariu como é que não desconfiei com tanta repetição do caralho da frase) e a casa é gira mas é muito pequenina, mas se querem vamos lá ver e tal.
Eu e Deus Grego ia-nos caindo tudo. Era A casa (como podem ver nuns posts abaixo). Fizemos contra proposta. Aceitaram. Guinchos e uivos de felicidade. Toca de espalhar à famelga. Eu já a imaginar o meu rebento de gatas na relva a aprender a andar pendurado no bujix, e eu, linda e escanzelada deitada numa espreguiçadeira ao som dos pardais a ler um romance histórico. Andavamos doidos. A fazer planos. A mostrar às pessoas. A projectar o quarto, e a sala, e a casa de banho...
Pedimos marcação para segunda visita para tirarmos medidas e tal, para ver se a cama cabe, olhe susana e já agora envie-nos a planta por mail pode ser. "ah, eu sou sincera e tal, a planta, pois não percebo é grande e pesa e não consigo..." enfim, a gaja é bronca não faz mal, quando lá formos no Sábado logo fotocopiamos. Chegamos lá no Sábdo, xitex dio camano, deus grego olha para a planta... "Oiça lá susana, falta aqui metade da casa!"
Pois é. A gaja mais à puta da sinceridade dela embrulharam-se em explicações, mas espremidinho espremidinho a verdade é que metade da casa estava ilegal.
Era ver-me a chorar que nem uma madalena arrependida. Porque era mesmo aquilo, aquele jardim, aquela casa, aquela lareira, aquele sítio! Fiquei inconsolável!
Mas Deus Grego é um homem que benzádeus, aquele coração produz esperança que é uma coisa parva! Relaxa meu amor, olhó bebé, vamos encontrar uma coisa muito melhor, etc etc etc.
E não é que encontramos?!
Deslocamos as exigências para Colares. Falamos com agência de renome (putaquepariu a susana mais à sinceridade e agência da tanga dela) e lá estava ela, toda praxada de "família brasa toca a entrar que aqui vais ser feliz!" Casa à séria. Com três quartos. E lareira. E jardim. E terraço. E traça antiga. E mega barata que os donos estão num desespero para vender.
Avançamos com o pedido de crédito, com plafond para obras também, dado o preço das casas naquela zona. Passamos as férias todas feitos tontos a projectar a casa, a levar lá mestres de obras, desenhar folhas de obras em mega detalhe, desenhar armários à medida, idas ao ikea, le roy melrim... Uma correria desenfreada. Uma alegria exacerbada, só de imaginar o nosso filho crescer ali, que eu cá prefiro ver crianças cagadas de lama a crominhos de olhos tortos por causa dos computadores.
Faz-se a avaliação (precisava que fosse um pouco melhor do que aquilo que achava que a casa valia). Mas não. Não foi pior em 1000, nem 2000, nem 10000 euros. Foi abaixo CINQUENTAMILEUROS (mas endoideceram ou quê???????????????), o que significa que, segundo o banco, esta casa vale menos que um T0 na damaia (mais vale dizerem que não dão crédito, filhos da mãe!)
Levar no cu oh nuvem negra que nos persegues! Xô daqui maldição malvada! Já não tenho mais lágrimas para chorar (se calhar tanta lágrima é das hormonas prenhudas, mas dasssse, canecos pah!)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Tata está em processo de...

Procura casa, ama casa, quer casa, não dá, chora pela casa, bola pá frente que há mais casas, procura nova casa, ganda casa, obras na casa, oçamento pá casa, a ver se dá que é ganda casa.
Isto e estou de férias.
E estou grávida, acho que já vos disse. E feliz. E in love que este meu Deus grego, benzádeus, a cada dia que passa está mais maravilhoso!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"Casa Pia: Um mega-processo em números"

"Casa Pia: Um mega-processo em números" deserolou-se no decorrer de 6 anos. Multiplicaram-se as testemunhas, duplicou o tempo de decisão, triplicaram os documentos que comprovam.
O escândalo estoirou graças à comunicação social. Rebentou A bomba nas mãos desta pátria que tem a Virgem Maria como rainha. As nossas crianças não estão protegida quando redes emaranhadas e intermináveis congelam, sufocam o poder da nossa (in)justiça.
Caiem os patos bravos de forma rápida e eficaz. Bibi vira o monstro papão, assume as culpas, engole os ódios de quem espuma por justiça. Mas desta feita o povo quer saber mais. O senhor que foi vítima dos mesmos maus tratos que fazia aos meninos da casa pia já não chega para assumir as culpas do acto mais repugnante, condenável e diabólico que um ser humano pode concretizar. Na sede de justiça ouvem-se as vozes e depois de inúmeros nomes serem cuspidos das cartolas sensacionalistas da nossa comunicação social, Carlos Cruz vira o novo bode espiatório deste caso. E o tempo passa. E os testemunhos ouvem-se. E as provas guardam-se. E o tempo passa.
Parece que amanhã se vai fazer justiça. Fosse eu a mandar nesta merda era matá-los a todos. Sem dó nem piedade.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Prenhez (Parte I)

A tata descobriu a prenhez antes se quer de estar atrasada. Foi um feeling... Foi um "ai 'mor, tu queres ver que samos 3?". Uma mente normal conformar-se-ia rapidamente com o pneu novo da marca "DEIXEDEFUMARCARALHO", mas aqui a tata sabia que era algo mais. E fiz o teste. E era, realmente mais.
Fique num desvairo de felicidade, eu mais o meu Adonis, que certamente será o melhor pai deste mundo. A maternidade, dentro de todas as coisas que as mamãs deste mundo me venham a alertar (ai as mamas nunca mais são as mesmas, ao as noites nunca mais são seguidas, ai o casal nunca mais se compõe), é, e então agora, a coisa mais perfeita e divina que a Natureza tem. A capacidade de gerar um coração que bate, um ser com vontade de uma noite de amor é algo que efectivamente é tão maior que tudo o resto. E, apesar de cibernauticamente eu parecer absolutamente desvairada, a verdade é que desde sempre tenho este sonho: o de ser mãe.
E foi naquele dia, 3 de Julho, que embasbacada e aos saltinhos, eu e o deus grego descobrimos que iamos ser pais.
Esta é a parte bonita da coisa. Um dia conto-vos as partes más (insegurança "aicanecos será que vous ser boa mãe"; hormonas em desvairo "O ANTÓNIO FEIO MORREEEEEEEEU, BUAAAAAAAAAAAAA"; sono aboslutamente avassaldor "'Brasa, bora ver um filme?' ' bora' 'boa deixa lá ligar o dvd' - 3 minutos de espera 'então que filme queres? Brasa?.. Brasa?......' 'ZZZZzzzzz'", enjoos e mais enjoos "'Queres um linguado grelhado Brasa?' - Tata em fuga para a casa de banho ao vómitos").