terça-feira, 26 de outubro de 2010

Da indecisão

Tem sido difícil escrever. Pelo menos como como eu queria escrever. Mas tenho tantas coisas a acontecer na minha vida que não sei bem como oriente a minha vontade de vomitar palavras. Se no maravilhoso. Se no assim assim. Se no nem tão bom como isso. Porque, efectivamente, nesta fase, tenho coisas absolutamente esplendorosas a acontecerem, ao mesmo tempo das coisas assim assim, e das coisas não tão boas como isso. E por isso fico sempre baralhada, indecisa sobre o que hei-de sentir ou fazer ou escrever.
Por exemplo, neste segundo que passou apetecia-me abraçar uma pessoa com toda a força que a distância provocada pela minha pança permite; agarrar num taco de basebol com picos e mandar umas valentes cacetadas na tromba de uma outra pessoa; e ainda há outra que tinha vontade simplesmente de mandar à bela da merda.
E o pior é que não sei qual das três me apetecia fazer primeiro.
Mas se calhar isto tudo é da prenhez. É. Diz que sim. Xalá trabalhar que a minha vida não é isto.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Notas Mentais para o fim de semana

- Fazer a depilação
- Falar com empreiteiro
- Falar com Osvaldo das janelas
- Dar beijocas ao papá
- Passear o Bujix
- Olhar babada para a minha pança
- Engomar 4 toneladas e meia de roupa
- Limpar os pelos do Bujix da casa TODACABRÃODOCÃOPARECEQUETEMTINHA
- DORMIIRRRRRRR

E é isto.
Sim estou exausta, mas caramba, estou feliz comámerda!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Estou uma verdadeira pilha de nervos. Nunca na minha vidinha arrisquei tanto. Ontem se dormi 3 horas foi muito, num vaivem absolutamente frenético de pensamentos.
Agora é acender milhares de velinhas e rezar para que tudo corra bem...
Canebos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

As coisas que mais gosto em ti (tipo filme)

Amo os teus olhos e a tua maneira de os usares.
Amo mais ainda o teu sorriso e a espontaneidade com que o ofereces.
Amo o teu sentido prático da vida, e forma como a encaras.
Amo quando fumas o teu cachimbo e te ris todo para mim.
Amo quando fazes bluf e os teus olhos te denunciam.
Amo quando corres de gravata pela autoestrada fora, em busca de uma bomba de gasolina.
Amo quando me ligas, só para dizer olá.
Amo quando esse teu corpão de metro e noventa adormece no nosso sofá de metro e meio.
Amo o som que fazes quando comes doces... salgados... enfim, quando comes.
Amo o teu jeito para o desporto e a forma como me tentas aliciar a fazê-lo contigo (sorry meu amor...).
Amo o tique do teu nariz, que mexe sozinho quando ninguém está a ver.
Amo o remoinho que o teu cabelo faz na nuca.
Amo que me ralhes. Que me ensines. Que me bebas, toda até ao fim... Amo-te brasa... tanto!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Não sou perfeita, so what?

Gosto de fumar (mesmo grávida) e de beber (isso não faço grávida).
Gosto de berrar, e de ser ordinária.
Nada mais me satisfaz do que mandar quem merece comer no cu.
Detesto cenoura cozida e recuso-me a gastar espaço da minha infima cozinha na reciclagem do lixo.
Sou mandriona e deixo acumular 4 toneladas de roupa antes de pegar no ferro.
Quando não gosto de alguém sou orgulhosa e casmurra. Quando gosto também.
Sou egoísta e mimada.
Digo mal de pessoas.
Às vezes minto às pessoas que amo.
Tenho mais fobias e medos do que qualquer outra pessoa.
Acho que sou bestial por não precisar de quase ninguém para ser feliz.
Esqueço-me com uma frequência assustadora dos anos dos meus amigos, e sou sempre forreta nos presentes.
Estou-me literalmente a cagar para o que os outros pensam de mim, depois de anos preocupada com a opinião alheia.
Tenho preguiça de sair à noite e fico danada quando me obrigam a ir a um sítio quer não quero.
Não percebo nada de cultura nem faço por perceber.
Adormeço sempre a meio dos filmes mas nunca perco um episódio de uma novela que gosto.
Quando vejo crianças mimadas e estridentes em plenas birras tenho vontade de lhes dar beliscões às escondidas dos pais.
Tenho mau feito, berro, estrabuxo, e digo caralho vezes sem fim.
E ainda bem.
Odeio pessoas perfeitas.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Constança

A Constança tinha longos caracóis feitos de raios de sol. Era fruto de um sonho de décadas, concretizado à estalada numa inseminação in vitrio.
Foi amada antes se quer de ser concebida. Planeada. Projectada. A mamã e o papá deram a mão na altura de escolher a célula fertilizada a ser injectada pela 15ª quinta tentativa no útero seco da mamã. A gravidez passou-se alimentada de torradas, chás, bombons e mantas, depois de tirada a baixa merecida. O parto deu-se na sala esterilzada do Drº Melo, que acompanhava aquele casal infértil desde o início daquela corrida. Cesariana para não magoar a bebé. Naquela dia, e naquela hora, para não massar a equipa médica ao fim de semana.
E nasceu divinalmente bonital aquela menina, desenhada e redesenhada depois de tantos anos de treino. A boquinha fazia beicinho desde o segundo que viu o mundo. Os olhos eram rasgados eram temperados com cor do mar. O cabelinho parecia uma penugem dourada, e as bochechas gorduchas davam-lhe um ar tão mais Dodot do que normalmente um recém nascido costuma ter.
A mamã e o papá explodiam de felicidade. Acarciaram a menina dos seus sonhos, bêbedos de alegria, extasiados de emoção. E prometeram-lhe a melhor vida, o mais promissor dos futuros, a mais preenchida história.
E por isso aos 5 meses iam todas as semanas com a menina à natação. O papá tirava fotografias, a mamã espetava a menina sobrepondo-se de forma histérica aos outros meninos da turma.
Aos 2 anos a menina já tinha visitado a catedral de São Pedro no Vaticano, e tocado às escondidas dos seguranças na Mona Lisa, no Louvre em Paris.
Aos 5 recitava poemas de Camões, sob o olhar babado dos papás, que impingiam o protagonismo da menina em todos os encontros de família.
No seu quarto, transformado pelos papás e pelos vovós no sonho da Leopoldina, não faltava o último top de gama dos brinquedos. E mesmo assim, a linda Contança, dos caracóis dourados e poemas de Camões recitados, gostava mais das bonecas de trapos que roubava à filha molata da sopeira da mansão, para depois rasgar em bocadinhos pequeninos.
A linda Constança cresceu, empurrada em nuvens sor de rosa pelos papás. E tranformou-se na mais bonita das jovens daquele bairro de classe média. Confirmou-o o José, depois de a beber no banco de trás do seu Porshe. E o Manuel. E o Fernando. E todos aqueles garanhões de hormonas saltitantes choravam à janela da bela Constança, na esperança de a cheirar só mais uma vez. Mas a menina dos cabelos de ouro entediava-se com rapidez e só provava novidades. Os papás envelheceram mais rápido do que o suposto, depois de uma vida inteira de escravatura para conseguirem ceder aos caprichos da linda Constança.
A Constança dos cabelos dourados entrou na vida deitada num berço fofo e de ouro. E saiu de seringa no braço, depois de beber avidamente um pouco da Sida do João.