Já não me sei triste, a verdade é esta... Houve um tempo em que toda eu era lágrima, amante da dor, adepta da tristeza, porque era assim que me inspirava, era assim que me descobria. Mas hoje não me sei triste, não sei o que fazer com um coração dorido, não gosto do sabor salgado das lágrimas, não sei o que fazer com tudo isto... Houve um tempo em que a infelicidade me definia, mas hoje não sei viver assim...
Deixo-me estar, já mais calma, mais eu, e que se lixe, ora que porra! Entre o ser e o estar há uma grande diferença. Bom dia a todos!
quarta-feira, 22 de maio de 2013
sábado, 18 de maio de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Meu avô aviador
Ontem quando soube que tinhas partido, tive a certeza que estavas agora em paz. O avô aviador, aéreo, distraído nos seus pensamentos, mas sempre atento. O avô dos abraços tão grandes, dos elogios longos, porque nunca tiveste medo de nos dizer, a nós, os teus santitos,como eramos importantes para ti. E, embora calado, embora às vezes até achassemos que não, eu sei que tudo vias, sei que nos tinhas sempre presentes nas tuas orações de voz baixa e fé ao alto.
Meu querido avô, esta é uma homenagem à pessoa incrivelmente boa que foste, aos feitos maravilhosos que fizeste em vida, tanta vida. Para que saibas que nunca esqueceremos os teus beaufighters, os teus barcos à vela, a tua coragem em plena segunda guerra quando deste essa mão forte a uma judia em pânico num restaurante em França. Nunca esqueceremos esse amor inigualável, alimentado uma vida inteira de 68 anos, pela nossa avó, nossa matriarca, nossa guia na vida. Ficarás sempre aqui, junto de nós, meu avô aviador e aéreo, o avô das torradas e marmelada, o avô das sestas, dos passeios, e idas à praia de robe de chambre com pão e bananas para o almoço, o avô fanático do sport, como dizias. És tão grande avô, que não é por não te vermos que te vamos esquecer.
Foste embora, e nós queriamos-te eterno.
Descansa em paz.
E olha por nós.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
terça-feira, 7 de maio de 2013
Mas temos saúde, temos filhos, temos amor. Temos família, temos cervejas ao final do dia, temos tanta coisa que não damos valor, e às vezes, a vida resolve rebentar-nos com um sismo em cima, abalando-nos as certezas, derrubando paredes mestras que, por terem sempre lá estado, passámos por elas sem as olhar.
Estes últimos dias passei por um desses. Sou uma pessoa privilegiada, mais que privilegiada, sou infinitamente abençoada, porque tenho comigo os meus avós. Mais que avós, são eles referências brutais na minha vida, são as companhias de fim de semana, os passeios na praia em miúda, são gelados, brinquedos e baloiços, ave-marias de olhos fechados, beijinhos tão diferentes de todos porque são eles treinados com uma geração de avanço. Juntos há quase 70 anos, os meus avós são os dois, cada um à sua maneira, uma aorta gorda no meu coração.
E de repente tenho o meu avô aviador, o avô dos barcos à vela e ski com 80 anos, o avô do golf e sestas, Marinha e Força Aérea, o avô, o meu avô, no hospital. Entrada com falta de ar sem previsão de saída. Pior a cada dia, médicos que falam sem nos olhar nos olhos, uma réstia de vida quando o beijei de garganta apertada a testa enrugada. A morte assusta-nos caramba, mas o sofrimento de quem amamos é avassalador. Foram dias que a alma andou num pêndulo de ânsia egoísta do quero-te aqui para mim sempre, ao leva-o rápido, acaba com isto depressa. E a minha avó, pequenina e assustada, mas sempre um furacão de força, sempre ali, incansável de lágrima nos olhos, mão na mão, palavras trocadas entre os dois numa cumplicidade que depois de 70 anos juntos ninguém consegue superar.
Pois bem, graças a Deus, foi um susto, que este cabrão deste destino faz-nos destas, e o avô acorda de um sono estranho, faz gracinhas, ralha, e ri-se para a minha avó, que já perdeu o olhar assustado e lhe dá caldos de mão fechada, novamente segura de si, novamente dona do seu destino.
Obrigada… Obrigada, infinitamente obrigada…
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Onde andas Tata de um raio?
quarta-feira, 27 de março de 2013
Já é oficial e por isso não podia deixar de vos escrever, especialmente a ti, querida amiga, que és mulher e tão igual a mim em tantas coisas...
A melhor maneira de vos felicitar, para mim, passa sempre pela palavra gravada, não numa folha de papel, mas neste espaço que é só meu... E por isso queria-vos dizer parabéns, mil vezes parabéns! Porque há tantos clichês sobre este assunto, mas eu posso falar-vos por experiência própria, posso dizer-vos com toda a segurança possível aquilo que eu senti, posso garantir-vos que o medo é normal, é alias a primeira prova de que entramos nesta maravilhosa aventura que é ser mãe/pai... Posso garantir-vos que a euforia do teste positivo, o medo/alegria histérica do que segue, a sensação esquisita de vazio, de que devíamos estar a sentir mais qualquer coisa, oh meu deus que não nasci para isto, tudo isso é normal, tudo isso faz parte da nossa reconstrução pessoal, desta vez no papel de pais... Posso garantir-vos que o amor inicialmente inexistente vai ganhando cor a cada ecografia, e dimensão a casa pontapé, explodindo num fogo indescritível quando o vemos pelo primeira vez... Aquela coisa pequenina, meu deus o nosso filho... Minha querida amiga, posso garantir-te a ti, que és tão parecida comigo em tantas coisas, que vais ter momentos difíceis mas vais dar início a aventura mais alucinante da tua vida!
Parabéns meus queridos! Mil vezes parabéns!
