Na minha primeira gravidez passei os primeiros 4 meses e meio descansadinha da vida, e os restantes em modo automáticópânico. Desta feita, estou desde que fiz o teste de gravidez num aimãeaimãeaimãe dos diabos, e na semana passada relaxei. A mesma ecografia a partir a minha gravidez em duas metades opostas.
Não vos contei mas fui ver o meu Manuel na semana passada. Penso que perdi cerca de 4,5 kg nesse dia, o que numa gravidez afinal é bom, mas o pior é que acho que também envelheci. Para aí 45 anos. O que faz de mim uma grávida magra e velha. Mas continuando, fui ver o meu Manuel. Entrei naquela sala escura a saborear o meu coração que batia a galope debaixo da língua fazendo-me balbuciar sons pré históricos feita adolescente à frente do brad pit, qualquer coisa como blercgerafclomen em vez de olá doutora. Deitei-me na maca fechei os olhos, e apertei as mãos suadas e geladas. É agora. Seja o que Deus quiser.
E quis Deus que a médica fosse anormalmente paciente, a companhia (que infelizmente não pode ser o meu deus grego) fosse anormalmente reconfortante, e as notícias fossem anormalmente maravilhosas.
É estranho passar tanto tempo numa expectativa disfarçada, num pânico miudinho e frenético e ter de repente, numa horinha apenas depois de 21 longas semanas, uma saída em cascata dos poros de tanta coisa recalcada. A descarga é tão grande que equivale a uma corrida. Ao pé coxinho. Enfiada num fato de ski. Na ponte Vasco da Gama. Ao meio dia de um dia de agosto.
E a felicidade vem em forma de copo de água fresco e cama com lençóis de linho depois da maratona. Uma descarga brutal de tanto tempo de espera, tanto medo guardado, tanta paranóia estúpida.
Cheguei a casa e desmaiei na cama, e acordei no dia seguinte…. grávida do meu segundo filho.
Já vos disse que estou grávida?
sexta-feira, 21 de março de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
Dia do pai
Hoje é o dia do pai.
Tenho o meu Adonis, aquele deus grego que para além de ser um bife do lombo que benzádeus, consegue ser o melhor pai do mundo.
E depois tenho o meu pai. Que é o meu pai. Também ele o melhor pai do mundo.
Quando se tem um pai como o meu fica difícil atingir assim o patamar de “fonix como é que o mundo inteiro cresceu se não teve um pai como o meu?” É que não é só o melhor. É completamente exclusivo e único e louco e maravilhoso. É exagerado, histérico, saudavelmente descompensado, incrivelmente genuíno, enfim, é o meu pai, um homem de poucos afetos mas com o coração maior que a via lactea.
Aqui há tempos discutia com umas amigas o frustrante que deve ser crescermos e termos de repente os nossos filhos a querem por e dispor nas nossas vidas. Estou aqui a imaginar o meu salpico a dizer-me que não posso fumar, e tenho de beber menos mínis e o caraças. Yeah right.
Mas falávamos disso e diziam as minhas amigas (com óbvia razão) que quando diziam este género de coisas era para bem dos pais, aquele irresponsáveis (que nos criaram sabe deus como) e não fazem nada bem.
Eu não concordo. Enfim, podemos dar uns inputs ao de leve, mas caraças ainda ontem nos limpavam o rabo e agora andamos aqui a mandá-los ir ao médico e a sair de casa e a dormir e a não beber. Para exemplificar, contei-lhes um conversa tipo com o meu pai. Que deixou de fumar e beber aqui há uns tempos, mas sendo ele, lá está, o meu pai, compensou tudo isso com uma fome que não lembra ao urso polar. E anafou um bocadinho (nada de especial, só para ai uns 20 ou 50 kg). E às vezes, digo assim levezinho, oh paizinho rico de minha alma, não beba tanta coca-cola. Ao que ele me responde, com toda a legitimidade, carinho e autoridade que lhe competem: “Vá para o caralho”.
Pimbas. É assim que quero ser também. Porque tenho o melhor pai deste mundo… Gosto tanto de si paizinho....
Tenho o meu Adonis, aquele deus grego que para além de ser um bife do lombo que benzádeus, consegue ser o melhor pai do mundo.
E depois tenho o meu pai. Que é o meu pai. Também ele o melhor pai do mundo.
Quando se tem um pai como o meu fica difícil atingir assim o patamar de “fonix como é que o mundo inteiro cresceu se não teve um pai como o meu?” É que não é só o melhor. É completamente exclusivo e único e louco e maravilhoso. É exagerado, histérico, saudavelmente descompensado, incrivelmente genuíno, enfim, é o meu pai, um homem de poucos afetos mas com o coração maior que a via lactea.
Aqui há tempos discutia com umas amigas o frustrante que deve ser crescermos e termos de repente os nossos filhos a querem por e dispor nas nossas vidas. Estou aqui a imaginar o meu salpico a dizer-me que não posso fumar, e tenho de beber menos mínis e o caraças. Yeah right.
Mas falávamos disso e diziam as minhas amigas (com óbvia razão) que quando diziam este género de coisas era para bem dos pais, aquele irresponsáveis (que nos criaram sabe deus como) e não fazem nada bem.
Eu não concordo. Enfim, podemos dar uns inputs ao de leve, mas caraças ainda ontem nos limpavam o rabo e agora andamos aqui a mandá-los ir ao médico e a sair de casa e a dormir e a não beber. Para exemplificar, contei-lhes um conversa tipo com o meu pai. Que deixou de fumar e beber aqui há uns tempos, mas sendo ele, lá está, o meu pai, compensou tudo isso com uma fome que não lembra ao urso polar. E anafou um bocadinho (nada de especial, só para ai uns 20 ou 50 kg). E às vezes, digo assim levezinho, oh paizinho rico de minha alma, não beba tanta coca-cola. Ao que ele me responde, com toda a legitimidade, carinho e autoridade que lhe competem: “Vá para o caralho”.
Pimbas. É assim que quero ser também. Porque tenho o melhor pai deste mundo… Gosto tanto de si paizinho....
terça-feira, 18 de março de 2014
E agora título para isto?
Ajudem-me almas. O que acontece aos neurónios de uma fêmea neste momento único, mágico e magnifico que é o de conceber uma criança? Hum?
Ás vezes chego a ter medo de me perder a vir para o trabalho.
Mas não era sobre isto que vos queria falar.
Esta merda da Ucrânia e da Rússia está a começar a acagaçar-me. Tanques e fronteiras e invasões, num povo que sobrevive com vodka aos 30 graus negativos mete-me uma cagufa do camano. Agora vem o Obama e as ONUs e o caralho meterem-se ao barulho não tarda estamos aí todos aos estoiros.
Mas tambem não era sobre isso que vos queria falar.
Bem, francamente já não faço puto de ideia o que me fez abrir o blogger.
...
Foda-se
...
quinta-feira, 13 de março de 2014
Estrelinhas e fadas dos dentes
Há uma estrelinha no céu que deve estar toda contente.
Sempre gostei da imagem reileónica de que as estrelas são as pessoas que amamos e estão lá em cima a piscar freneticamente para nós. Acho bonito, a sério que acho, fico só meia azamboada porque, ainda na linha infantilóide da coisa, as estrelas só aparecem de noite, pelo que de dia os mortos cagam para nós, tirando o morto que vive no sol que deve ser o Gandhi e gosta de todos.
Isto de crescer é mesmo complicado. Uma pessoa vai-se desfazendo de crenças e clichés, cria argumentos todos sustentados, lógicos e racionais, e de repente está todo fodido cheio de duvidas, angustias e sem acreditar em nada. Ou isso, ou então é-se preguiçoso intelectual como eu e não se pensa muito nas coisas para evitar crises existenciais.
De qualquer das formas quando é preciso todos nós conseguimos agarraramo-nos a fé, crenças ou mitos que nos dissipem a tristeza ou medo. Pelo menos eu. Quando o meu avô aviador resolveu levar metade do meu coração com ele para sempre fiz isso. Mentalizei-me com muita força que não há problema, não lhe sinto os abraços longos e apertados mas ele está com certeza a olhar por mim.
Por isso, invariavelmente, fico com uma espécie de soluço no peito, misturado com um sorriso orgulhoso, porque sei que o meu avô Manuel está todo inchado com o pequeno Manuel que cresce dentro de mim.
Sempre gostei da imagem reileónica de que as estrelas são as pessoas que amamos e estão lá em cima a piscar freneticamente para nós. Acho bonito, a sério que acho, fico só meia azamboada porque, ainda na linha infantilóide da coisa, as estrelas só aparecem de noite, pelo que de dia os mortos cagam para nós, tirando o morto que vive no sol que deve ser o Gandhi e gosta de todos.
Isto de crescer é mesmo complicado. Uma pessoa vai-se desfazendo de crenças e clichés, cria argumentos todos sustentados, lógicos e racionais, e de repente está todo fodido cheio de duvidas, angustias e sem acreditar em nada. Ou isso, ou então é-se preguiçoso intelectual como eu e não se pensa muito nas coisas para evitar crises existenciais.
De qualquer das formas quando é preciso todos nós conseguimos agarraramo-nos a fé, crenças ou mitos que nos dissipem a tristeza ou medo. Pelo menos eu. Quando o meu avô aviador resolveu levar metade do meu coração com ele para sempre fiz isso. Mentalizei-me com muita força que não há problema, não lhe sinto os abraços longos e apertados mas ele está com certeza a olhar por mim.
Por isso, invariavelmente, fico com uma espécie de soluço no peito, misturado com um sorriso orgulhoso, porque sei que o meu avô Manuel está todo inchado com o pequeno Manuel que cresce dentro de mim.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Ia escrever sobre o dia dos 3 anos do meu filho, aquela coisinha loira de caracóis, que me pediu de presente de anos ovo dichucuiáti, ia contar-vos o programa que tínhamos, que seria acordar e levá-lo ao toys’r’us, chegar lá e soltá-lo, agora vai à tua vida, escolhe o que mais gostas, é assim um fetiche que me persegue desde que nasci, mesmo sabendo que provavelmente ele ficaria preso nas caixas de pagamento onde estão as gomas e os smartis, ia contar-vos que por este motivo não tínhamos nada embrulhado dentro do armário, para aquele dia de 01 de Março, dia em que (oh meu deus) completou mais um ano aquela pessoa que veio de mim, e depois de uma noite estranhamente mexida, acorda o miúdo a arder em febre, e pior, a vomitar e enjoado, cantámos-lhe os parabéns depois do vimitado, e ele chorava a dizer “num canta mãe num canta”, ia contar-vos isto mesmo, que se adiou a festa e o dia passado de três em três horas a medir febre, e ele chorando enjoado e febril, que queria ovo, xóumovo mãe, e eu de coração nas mãos, a ver-lhe aquelas bochechas gordas encarnadas, sem lhe poder dar o que ele mais queria, que era uma puta de um ovo de chocolate. Ia contar-vos esta odisseia toda, que me levou a passar a tarde do feriado de carnaval no modelo, a encher um carrinho de gomas, smartis e confetis, um carrinho de sonho para qualquer puto, para lhe dar, uma semana depois, a festa de sonho, carregada daquilo que ele mais gosta, que é só açúcar, não é nem bicicleta, nem legos, nem o caraças, são mesmo calorias.
Mas não vos conto. A minha mão está ocupada a sentir um bebé que mexe dentro de mim…
quarta-feira, 5 de março de 2014
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