quinta-feira, 15 de maio de 2014

Coisas que não faço questão de ouvir

AHHHH CREDO AGORA É QUE TE VI, OLHMÉSSAS MAMAS, E ESSA BARRIGA, TÁS TÃO GRÁVIDA MULHER, CREDO
Não. Não fico feliz. Mesmo. Foda-se.

TÁS A COMER DE NOVO?
Não estou a estou a contar acaros caralho, não se vê logo?

terça-feira, 13 de maio de 2014

Saudades com um ano

Passei de criança a mulher com uma base católica. Cresci a saber rezar o terço, a oração dos fiéis na missa, a saber quando me devo levantar e sentar. Cresci orientada para aquilo que a Igreja nos prega, fui batizada, fiz primeira comuninhão, profissão de fé e crisma. Na altura de me juntar com a pessoa que amo, fiz questão de ser abençoada numa igreja, com comunhão e oração na altura de trocar as alianças. Tenho por isso enraizada no meu coração a cultura critã.
Fé.
Fé é diferente.
Tenho alturas em que a sinto de tal forma que parece que a posso agarrar e mostrar ao mundo. Tenho outras que não a sinto, prevejo-a apenas, mais com esperança do que com crença. Pilar de fé, para mim, foram e são os meus avós. E hoje, dia da Nossa Senhora dos portugueses faz um ano que tive de passar a olhar para esse pilar com os olhos do coração. E o meu coração, às vezes, fecha-me os olhos à bruta deixando-me às escuras.
Tenho saudades, tantas saudades que dói...
No dia de Nossa Senhora, símbolo de mãe, alvo de uma enorme devoção do meu avô, relembro o dia em que a minha vida ficou mais pobre, sem aquele pai ao quadrado, sem aquele poço sem fundo de bondade, altruísmo, e orgulho nos seus.
Hoje, é o seu dia avô Manuel. O dia de Nossa Senhora de Fátima.
Olhe por mim sim?

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A última vez que escrevi estava de 24 semanas, certo? E agora pimbas, vai-se a ver e já estou nas 28, entrei por isso no último trimestre de sofri… gravidez. Tenho azia à noite, e doem-me ossos que não sabia que tinha, além disso, combater birras de crias de 17 kilos com uma pança que não me deixa ver os pés torna tudo mais... vá, desafiante.


Estou feliz…

Falei-vos vagamente que o meu Rabanadas começou com pesadelos. Não sei quem sofria mais, se ele se nós, mas andamos aí 2 mesitos aflitos, oh meu Deus que ele não é feliz, ai Jesus que agora tem medos, onde já se viu, filho meu com medos, e o puto, cabrão como só um puto de 3 anos pode ser, passou do medo real, ao espera aí que se abriu aqui uma janela de oportunidades para ser o boss. E então, entre olheiras e noites interrompidas, colchões no chão e leites a meio da noite, começamos a perceber que estávamos a ser totalmente manipulados por aquele pequeno adorável ser. Salpico não lambas o chão, AI MÃE ÓIA OS LEÕES MÃÃÃÃE, pronto lambe lá a merda do chão.

Estou mesmo mesmo feliz caraças.

A minha barriga está a sofrer uma metamorfose assustadora. Ontem quando adormeci chegava aos pés, hoje de manhã não consigo calçar meias. E mexe-se, tanto mas tanto. Só que custa-me andar, e tenho sono e azia, custa-me o colo que o meu caracolinhos de sol ainda pede.

Às vezes à noite riu-me sozinha com a mão na barriga.

Vai daí que abrimos guerra. Um, dois, três, diga lá outra vez. ACABOU-SE. Xaupico ké, xaupico pode e xaupico manda, foi um reinado que terminou (pausou, eu sei, nós adoramos eternizar estes sucessos). E não é que o puto percebeu. Aceitou. E obedeceu?

Faltam dois meses e meio. E estou feliz à séria.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Amor em forma de tempo

O tempo embrulha-se, mole, peganhento, urgente. Já é abril, achava-me ainda em janeiro. Ainda ontem era anteontem caraças….
24 semanas.
A espera parece infinita. Mas mais real agora, barriga empinada resolveu crescer em dias depois de meses envergonhada. E tem vida própria, estranho, é como se deixasse de ser dona de mim, com tudo aquilo que tem de maravilhoso e assustador.
Os dias desenrolam-se, coisas de ontem parecem de há mil anos, coisas antigas parecem de agora. O tempo, esse mestre da ilusão, engana-me.
24 semanas…
Há coisas que não mudam. Mentira. Tudo muda. Amo-te sabes? Não sei se são esses olhos que riem, cor de montanha e mar. Não sei se é por sermos um apenas, multiplicado agora em mais dois. Mas amo-te. Às vezes não mostro, bem sei. Sou vaidosa.
24 semanas é a entrada nos 6 meses não é?
Tudo passa, estou certa. Está a ser duro agora, há coisas que eu queria saber a solução tipo 1+1=2 mas às vezes a vida é puta e dá 3. Não interessa nada. Amo-te. Sei que não mostro, que sou mula como um raio. E vaidosa. Mas amo-te. E isso, dá-me ideia, que por mais que o tempo se arme em cabrão, não passa.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Ser mãe e o caraças....

Toda a gente fala das maravilhas da maternidade. Porque é realmente algo soberbo, tipo tsunami imprevisto num dia calmo de verão. É calor e orgulho, é o espanto, a novidade a todos os segundos, é a alegria de os ver crescer.
Mas depois somos vaidosos, que somos, e toca de exagerar, toca de os achar melhor que os outros, no fundo nem são eles que são melhores, somos nós que somos para lá de espetaculares a amá-los e educá-los, e por isso temos filhos que são exemplares e comportam-se e têm graça e são sobredotados.
Agora venho eu estragar esta merda toda. Não se iludam futuras mães, ser mãe não é ler um livro numa tarde de sol, com um amor de um bebé num berço a dormir descansadamente, e todas nós a transpirarmos primavera e amor e calma e serenidade. Ser mãe é olheiras, muitas olheiras. Porque a maternidade coloca lado a lado numa luta frenética e constante o amor e o medo. Foda-se que medo. Medo que caiam. Medo que tenham fome. Medo que não durmam. Que se habituem mal quando os mimamos. Que se traumatizem quando os educamos. Olho para o meu filho, três anos feitos, diz caiáio, come sozinho, diz olá na rua a pessoas que não conhece, e sinto um amor desmedido, um orgulho gordo e pleno, que sim, o puto é mesmo giro, é aliás o mais giro. Mas faz birras. E pede, muito, a toda hora, que quer colo, que quer atenção, que quer chocolate, que quer quer quer e mais e mais e mais.
E às vezes estou cansada, e assustada, porque nunca sei se lhe diga que não, se lhe diga que sim, estou sempre naquele nim, incerta das decisões que tomo, indecisa nas minhas certezas. Ser mãe é fodido. É mesmo. Principalmente quando se é como eu, meia quadrada, gosto de cada macaco no seu galho, das coisas organizadas e previsíveis. Vem-me aquela coisinha gorda de caracóis (e uma outra que cresce dentro de mim), que sorri com covinhas (já vos falei daquelas covinhas?), que me abraça e diz “amo voxê”, que me tapa quando estou deitada e diz “xaupico fica aqui um miquinho com a mãe tá bem?” Que diz que o meu nome é mãe pinxeza, que se ri tanto que fica com soluços, que brinca a fazer arroz com cáni, que é assim, só e mais nada, a coisa mais espetacular deste mundo, e abala o meu mundo, vira-o de pernas para o ar, tira-me o ar de espanto e pavor, faz-me rever prioridades é hábitos, torna-me, enfim, a mulher mais assustada e mais feliz (e exausta... tão exausta) deste mundo.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Check up de prenha - o desastre, o HORROR

Agora que sou uma grávida normal, ou seja, que me posso concentrar em futilidades como o peso e a pele e o cabelo, cá entro eu com hormonalmente capaz de matar um boi à dentada.

Andei ali 5 meses toda bem comportadinha (ou nervosinha, vá) emagrece umas gramas num mês, engorda outras noutro, tudo muito bonito. Chego hoje à consulta, lá vou eu tipo gado ao controlo habitual: tensão, coração do bebe, agora salte lá para a balança. E eu, habituada a ouvir palminhas nesta fase da consulta ouço “EH LÁ!! O que aconteceu este mês, três quilo de enfiada??”
E eu, sorrio, engasgo-me, coro, três, como três, são mesmo três, viu bem, três??? TRÊS?
Sim, três minha menina, vamo lá a fechar a goela.
Venho chorosa para o escritório, paro para marcar almoço, e enquanto desabafo infelicíssima a minha desgraça, peço, para despedida, um frango com batatas fritas. Muitas, que estou deprimida.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Mãzinha, diz-me tu, a quem saio eu afinal?...

A minha rica mãezinha é uma pessoa saudável e ponderada que mama kefir em vez de leite, ou então farta-se e engole 18 bolas de Berlim com 45 cafés depois de 3 dias de jejum em memória do Gandhi. Mamãe reza o terço em frente a uma foto do Dalai lama, dorme 15 sestas porque tem insónias à noite, não toma comprimidos mas dá-nos antibióticos que tem escondidos na carteira ao primeiro espirro.

Isto para vos contar, que a 4 meses de eu dar à luz, com uma amor de uma criancinha que descobriu não sei o quê e agora tem pesadelos, mamãe resolveu, depois de 55 anos sem mexer a peida e 7 maços de tabaco no bucho ao dia, começar a fazer ginastica. Ontem foi o seu primeiro dia. Hoje deu entrada no ginásio as 8.30. E saiu. Às. 13. Da tarde.

Teme-se o pior.