quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Moi aussi, je suis charlie

Uma pessoa anda aqui a pôr crianças no mundo. Empenhada de corpo e alma em formar seres humanos, bons, respeitadores, apaixonados e livres. Livres caralho.


Uma pessoa tem esperança nesta merda deste mundo, esperança que as coisas sejam como nós as espelhamos. Que sentido faz um mundo que não nos encaixe, não nos receba de forma plena e de acordo com o que acreditamos? Afinal, porque andaríamos nós, eu pelo menos, a sujeitar o meu coração a este amor imenso e avassalador que é o de ser mãe, se não acreditasse que sim senhor, é possível ser-se bom, ser-se feliz, ser-se livre? Livre caralho.

O maior risco de sofrimento a que nos sujeitamos é precisamente quando decidimos ser pais. Não existe puta de dor maior do que a de ver um filho sofrer. E então, todos os dias acordo de manhã e acredito, então não havia de acreditar? Acredito e luto por ser uma pessoa melhor, por fazer à minha volta as pessoas melhores, para que este mundo seja um bocadinho de nada mais digno para receber as pessoas mais importantes da minha vida, os meus filhos. E de repente, uns cobardes encarapuçados de alá, uns paneleiros escondidos atrás de armas, uns monstros de merda destroem mais um pouco a minha esperança, a minha fé, a minha crença, a minha vontade de lutar…

Hoje, amanhã e sempre, je suis Charlie. Porque para os meus filhos eu só quero um mundo livre.
L-i-v-r-e caralho.


(título roubado do "tio caldeira")

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014

Os dias sobrepõem-se a uma velocidade alucinante. Os segundos atropelam-se, e nós sempre a correr, janeiro é oficial, estou grávida, fevereiro no aperto, ai jesus será que está tudo bem, dejavus de uma primeira gravidez de susto, março chega e traz a confirmação de que tudo está bem afinal, faz 3 anos o pimpolho (Três??? Como três???), doente e sem poder receber as coijasboas que é o que mais gosta na vida (salpico, gostas mais da mãe ou de chocolate? de chocolate mãe, tu não xe comes!), vem abril águas mil, a barriga a dar de si, e consigo o cansaço de quem mora longe de onde trabalha, tem um filho pequeno que inicia uma fase assustadora de pesadelos, e de repente é maio, a gravidez ralha-me com contrações inesperadas, vou de baixa e sou internada uma noite, o medo de novo, os incómodos de uma barriga pesada que não permite colo ao um piolho gorducho, com isto vem junho que é logo devorado por julho, o mês que nasce o meu Manuel, inspiração no meu avô aviador (como é possível não estares cá já há mais de um ano? Tenho tantas saudades suas…), a paixão de novo por um ser de três kilos (que chorava, oh jesus, o que chorava aquela criança), no meio disto as putas das hormonas, e cá fora a ruir o banco onde trabalho, agosto passa a correr, vem setembro, a criança acalma, começo a ganhar rédeas a esta nova vida, com olheiras, muitas olheiras, mas devagarinho a atinar, nisto atira-se o miúdo pintainho numa tosse, que piora de dia para dia, vamos ao hospital e tiram-me o miúdo dos braços, a correr para o SO, em isolamento que pode ser tosse convulsa, e confirma-se depois, 10 dias de internamento, noites num cadeirão, o medo, o instinto assassino de mãe perante um filho que sofre, vai-se outubro e vem novembro, regado ainda no medo daquela puta daquele mês, cuidados mil, dias minúsculos, e de repente é dezembro, como pode ser, começo já a trabalhar? E começo mesmo, mas não de onde saí, trabalho agora num “banco bom” seja lá o que isso for. E foi o natal. E eis-me aqui. No final de 2014, a entrar em 2015. Estou cansada. Um bocado assustada também. E olho rapidamente para estes meses que passaram, que meses que fizeram 2014, me deram mais um filho, me atiraram no medo do desemprego, que mudou, afinal, tanta coisa na minha vida, e fico com uma vontade louca de te beijar na boca. Minha brasa… és o melhor da minha vida… obrigada 2014 por reforçares uma coisa tão boa.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Aperto

Deixei dois texugos no quentinho para sair de madrugada rumo ao trabalho... E seja o que deus quiser!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Fim do dia e estou tão cansada... E ainda, ou talvez por isso mesmo, sou só mãe a full time. Fim do dia e eu só quero esticar o pernil, ver um bom filme de pijama. Mas ainda há os banhos, o jantar, o pequenino não quer beber o biberão, tenho de me levantar e dá-lo a passear e a cantar enquanto ele se acalma. O mais velho quer atenção e berra do alto dos seus três anos: és feia. E é fim do dia, e eu estou tão cansada. Ignoro o insulto e pergunto como correu o dia na escola. O pequenino como parei de o embalar cospe o biberão e empina-se ao meu colo, tal e qual peixe fora de água. Doiem-me as costas e tenho mais 7 nódoas de leite na camisola que hoje resolvi pôr mais bonita. És feia não xou teu amigo. Concentro-me no pequeno e ignoro mais uma vez um insulto. Ora que porra fui buscá-lo à escola, andamos de baloiço, comprei-lhe duas pastilhas e deixei-o jogar no meu computador. Sou feia porquê? Desisto do biberão e meto o pequenino na cadeira. Ele grunhe e empina-se, forço a chucha com aero om. Cala-se por fim. É final do dia e eu estou tão cansada. Sento-me ao lado do mais velho. Então meu amor o que estás a jogar? Xai daqui, és feia. O pequenino começa a chorar. Levanto-me tiro o computador ao mais velho, agarro-o com força por um braço e sento-o à mesa. ACABOU-SE! Ele estranha o tom e chora, bem alto, chora de forma estridente amuado. O pequenino chora. ACABOU-SE! Agarro no pequeno meto-o na cama, ligo o intercomunicadir e fecho a porta. O mais velho vê que não estou a brincar e cala-se. ACABOU-SE! Meto-lhe o prato à frente, chocos, sei que não gosta. Ele soluça, agarra do garfo e come olhando-me de lado. ACABOU-SE! O pequenino adormece, vejo no intercomunicador. O mais velho pede-me ajuda para comer. Sento-me ao seu lado e sim, ajudo, claro que ajudo. Mas acabou-se esta merda.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Quando nos deixam, assim derepente, sem qualquer tipo de aviso ou preparação prévio, fica entalado na garganta aquele adeus que não se disse, aquele olá que ficou perdido. As pessoas, quando nos deixam assim derepente, sem qualquer aviso ou preparação prévia, deixam-nos um vazio no coração de um espaço que nem nos dávamos conta de como ocupavam. 
A vida e curta demais. Um dia estaremos todos juntos outra vez... De um beijinho ao avo por mim minha querida tia verónica...

Desculpem a falta de acentos mas estou a escrever do tlm...

sábado, 25 de outubro de 2014

Finalmente em casa

Lições de vida nestes dez dias de internamento do meu pintainho pequenino:
O hospital de cascais passou a ser a minha referência para todo e qualquer problema com as minhas crias. Absolutamente espetaculares todas as pessoas que nos atenderam!
Não dormir deixou de ser um problema depois de tantos dias numa cadeira a saltar a cada suspiro da cria. Agora se durmo uma hora seguida estou pronta para uma maratona de 24 horas a dançar kizomba.
Nada, mas mesmo nada nesta vida e mais importante que a saúde dos nossos filhos. Na teoria todos sabemos isto mas sentir na pele a coisa ganha uma outra dimensão. 
Amadureci para aí 145 anos por isso tratem-me com respeito.