terça-feira, 12 de maio de 2015

Olá Pessoas. Desculpem a ausência. Estou com mais inclinação para o outro blog, agora que sou uma pessoa carregada de descobertas espetaculares e que estou obsessivamente a auto analisar-me e a descobrir merdas transcendentes como forma de não deixar escapar esta soberba inspiração que se me deu.
Entretanto vi esta notícia e fiquei abalada. Este mundo está todo fodido. Mas caganda lol. E este senhor está gagá, não deviam permitir que falasse assim para o público em geral, é quase bullying, coitado do velho. 

terça-feira, 5 de maio de 2015

Crise dos 40 numa mulher de 31

Acredito piamente que existem momentos nas nossas vidas, repletas de stress, de segundos que se auto devoram, de obrigações profissionais, pessoais e sociais, em que temos de meter um travão, parar, sentar e pensar um pouco.
Sou uma mulher de 31 anos a passar a crise dos 40 dos homens.  Enfim, o que sinto é tipo um presságio, um apito qualquer que me diz que algo tem de mudar. 

Todos os dias, sabe deus porquê, abro a merda da net, e vejo cenas horríveis. Miúdas violadas por árabes tarados convencidos que são a mão de Alá. Crianças com cancro. Aviões que são atirados contra os Alpes por suicidas. Aldeias dizimadas em África. Pessoas desempregadas com filhos doentes. Barcos carregados de imigrantes ilegais (ou tráfico humano) a irem ao fundo. 
Opa que merda de mundo este. Eu não me sinto revoltada nem nada. Sinto-me assim desesperançada. Suspiro.

Depois penso ena que sorte que tenho. E tenho. Então que raio de comichão na alma é esta? 

E como estou assim nesta fase de introspeção, e porque o meu grande mal é sono por isso há que não dar demasiada importância, decidi começar a fazer montes de bulets na minha vida. Vantagens e desvantagens de tudo e um par de botas. Imaginar aquilo que quero ser. Rever o que faz com que eu não seja aquilo que quero ser.
Isto é bom. Tenho segundos de pura revelação e excitamento, Uau que ser humano incrível que eu sou; eu sou capaz etc e tal. E ponho-os num bullet: 
- Ir a pé para o trabalho é bom. Vencer a inércia (e a fortuna) de ir de metro. Venho cheia de ânimo e energia e com a sensação real de ter emagrecido.
- Comer dieta num refeitório cheio de bancários é saudável (e barato). As batatas fritas da opção carne iam entupir as minhas veias de colestrol. O sushi ia abater uma fatia considerável do meu (miserável) orçamento e uma vez satisfeita a fome só sobraria uma sensação de enjoo a peixe cru por ser uma verdadeira alarve na opção rodízio.

E por aí em diante.



Entretanto a vida é linda e eu adoro ver andorinhas frenéticas e aos guinchos atrás de mosquitos.






segunda-feira, 4 de maio de 2015

Deixar de fumar - take II

Eu sou incrivelmente ridícula no que toca a este ponto. Já tentei inúmeras vezes deixar de fumar, e todas elas sem sucesso. Isto porque, na minha cabeça, eu sou uma pessoa desmesuradamente infeliz sem o cigarro. E o processo de deixar de fumar, por si só, faz com que desate a fumar como se o mundo fosse acabar amanhã. E quando tento, berro ao mundo inteiro. Quando falho reforço a minha certeza de que sou incapaz de o fazer. E fico com vergonha de mim. Aliás, muito pior. Não fico. Mentalizo-me que é assim que sou, não vale a pena tentar, quem não gosta não olha etc e tal.
Estou numa fase da minha vida complicada. Graças a deus não são complicações sérias. Tenho dois filhos saudáveis, emprego, casa com jardim e um marido que amo desmedidamente. Mas depois tenho este feitio de cadela, não tolero as putas das noites que me têm assombrado, envolvo-me numa penumbra escura e depressiva em que passo o dia inteiro a arrastar-me sonhando com a noite, e quando esta chega tenho taquicardias por saber que não vou dormir o que preciso.
Esta minha onda sinistra de pensamento aplica-se em tudo. Porque sou completamente exagerada. Para o bom e para o mau. E aplica-se também ao deixar de fumar. O simples pensamento de deixar de fumar enche-me de horror. Quando ganho um pouco de coragem, imagino logo os bons momentos, em que vou estar ao sol, a beber uma míni e a fumar um cigarro, e os maus momentos, em que mandei 15 pontapés na parede as duas da manhã de sono e exaustão, e para não assassinar ninguém vou fumar um cigarro. E aqueles segundos que decidi que vou deixar de fumar já se foram na certeza que vai chegar o momento que eu não vou conseguir, seja ele ótimo, seja ele péssimo.
Isto para dizer que estou neste processo de mentalização.
Enviaram-me o pdf de um livro que promete um milagre: deixar de fumar não só é fácil como é maravilhoso (um grande bem haja Lourenço). Li o livro como fumo: à bruta, sem respirar, à espera do milagre. Hoje já decidi que vou deixar de fumar três vezes. E fui fumar a pensar nisso.
Acho que já é um começo. Este querer a sério, não só pelo dinheiro, ou pela saúde, mas porque quero ser diferente.
Vou recomeçar o livro de novo hoje, com mais calma.


Entretanto, vou fumando.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Para quem ficou WHAT THE FUCK com o post anterior

Estou em processo de mentalização para deixar de fumar. (Ainda) Não deixei de fumar. Aquilo foi um sonho. Foda-se que se tem de explicar tudo.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Deixar de fumar - take 1

Abro os olhos. Consigo ouvir a minha pulsação na máquina. Ritmada. Pausada. Pi. Pi. Pi.
Oiço também a bomba que me dá ar. Demoro alguns segundos a voltar a mim. Tento mexer os braços, não consigo. E a máquina. Pi. Pi. Pi.
Na minha cabeça os meus filhos. Mãe quero comer os teus cabeios. Sorrio. O som da xuxa, a forma como me cheira deitado ao meu lado de pijama. Janela aberta para as fadas entrarem, mãe hoje as fadas vão dar taaanto pójinho mágico a eu para eu ficar tanto gande. A mão morena do Manuel. Dadadada. Beijos nos refegos que cheiram a Johnson “bons sonhos”.
E olho à volta. Só consigo mexer os olhos. E a bomba pausada. Pffff. Pausa. Pfffff. Oiço vozes mas não as entendo.
As festas nas escolas. Manuel a andar, taralhoco, olhos tão grandes e vivos, sedentos de novidades que encontra nos paus, no mar, nas formigas no chão.
Salpico a escrever pela primeira vez mãe adoro-te.
No peito sinto agulhas, a garganta seca, quero virar a cabeça. Não me consigo mexer. Tenho tanto sono. E a máquina. Pi. Pi. Pi. Agarro-me de novo àquela linha estranha e boa de pensamentos. Os olhos cor de mel do meu salpico. Eu que lhe ralho, não podes comer tantas coisas boas, ficas doente. Oh mãe, fico taanto godo que não conxigo correr? O Manuel gatinha atrás de mim. Amo-os tanto. É tão estranho este amor, como se fosse uma continuação de mim, mas melhor e não minha.
- Mãe.. mãe?
Quem me interrompe? Estou tão feliz aqui, na lembrança. E então a voz do médico. Terminal. O meu adónis a engolir lágrimas ao meu lado. Querendo ser forte para mim. E eu focada. Terminal. Terminal. Terminal. Termina aqui? Calendário de tratamentos. Cigarro filho da puta. As dores. O cabelo na banheira. Quero chorar mas os tubos não me deixam mexer. Isto só pode ser um sonho, isto é um sonho. Quero  pegar nos filhos dos meus filhos.
- Mãe.
- Deixe a mãe salpico…
E eu quero responder, olhá-lo, falar-lhe, mas tenho tubos, e a máquina. Pi. Pi. Pi. Come-me os segundos que se vão.
As xuxas no chão. O Manuel no meu colo, morde-me o queixo. E o salpico. Mas eu poxo ir cuntigo para o xéu mãe?
E o céu, existe?
- Não salpico. Mas a mãe vai estar sempre aqui. No seu coração.
Abro os olhos. A máquina. Pi. Pi. Pi. Vejo-os ali. Os meus três homens. A minha família que o meu cigarro destruiu. E o arrependimento grita mais alto que a máquina. Pi. Pi. Pi.
- Mãe?
Olho para ele. Caracóis de sol despenteados. Chora com o narizinho colado a mim. O Manuel dorme ao colo do meu marido.

Fecho os olhos e adormeço num sono que não é meu.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Sou boa a educar

- Mãe, poxo dijer maxada?
- Massada? Pode, claro. (chique o raio do puto, diz "que maxada, hoje é frango outra vez")
- E bolas? BOOOOOLAS?
- Sim, também pode dizer booolas! (Sou boa a educar, não há qualquer tipo de dúvida. Olheiras recompensadas. E olho-o enternecida, vaidosa do meu excelente trabalho)
- E caiáio? Poxo? Poxo dijer caiáio?
- ... (foda-se puto, tavas a ir tão bem...)