terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Parabéns parabéns, oito vezes parabéns!

Não sei se isto acontece a toda a gente. Mas às vezes tenho micro segundos que me vão buscar aos recônditos da memória momentos de uma forma fotográfica. Micro segundos que derepente viajo no tempo.
Eu de coração a bater dentro a boca. Ao meu lado o meu pai de beicinho. Eu de expectativas no auge, eu com todo um caminho à minha frente, é só pôr um pé em frente do outro, todos me esperam, todos me encorajam. O vestido que me fez sentir princesa. Eu de coração aos saltos na boca. Afinal, é um livro em branco aberto para mim, é a minha história em caneta de tinta permanente. E lá ao fundo tu (mas afinal o que foi que fizeste ao cabelo?). A tinta da minha caneta. As páginas pares do meu livro ainda em branco.
Oito anos, dois filhos, alguns sustos, muitas imperiais, várias tentativas de deixar de fumar, noites em branco, uma casa de sonho, tantos risos, algumas lágrimas, areia primeiro em 4 pés, depois em 6 e mais tarde em 8. Oito anos de nós. Lembras-te do cheiro da igreja?... Cheirava aos sonhos que já estamos a concretizar. 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Dúvidas, a minha vida é só dúvidas

Já não sei que mundo é este que recebe os meus filhos.
Não sei de onde vem toda esta cena mole e peganhenta de horror, indiferença, hashtags poéticos e uma inatividade a touchscreen.
Já não sei que explicação lhes dar, honestamente, e isto é um problema. Oh mãe existem lobisomens? Eu digo que não, mas que os há há. E ganham os cabrões. Isto é difícil de gerir e explicar, queria agarrar neles, delimitar um perímetro de segurança física, moral e emocional,  dizer-lhes que além fronteiras não há nada, só um buraco negro que chupa tudo lá para dentro. As crianças obedecem sempre melhor face ao medo.

Mas tudo isto é impossível e lá fora a polícia anda armada, e tenho azia cada vez que me enfio num comboio cheio de gente. Prevejo uma úlcera nervosa dentro de poucos meses.

Entretanto o costa é indigitado, ora mas que bem, votos para que vos quero, os outros, panilas de merda, ficam na retaguarda não vá a realidade ser mais fodida do que se espera e há que manter a coerência para poder berrar IMPOSTOS NÃO GOVERNO AO CHÃO.
Merda para isto.

Este fim de semana foi maravilhoso, mas abriu uma portinhola lixada no meu coração, aquele ar imenso, todo puro, a calma que não se vê na cidade, e eu, o que faço eu aqui afinal?…


Dúvidas. A minha vida é só dúvidas.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Conversas lá em casa

- Brasa é verdade ….
- MÃE O MANELI TIROU-ME O BINQUEDO
- Já vou. Mas estava a dizer-te…MANÉL TIRA A FACA DA BOCA
(e corro para o salvar de si mesmo)
- Diz lá.
- Bom, hoje…
- BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
- O que é que se passa Salpico?... (os dois a correr para a sala)
- O MANO DASLIGOU A TAVIJÃÃÃO
(Enquanto ligo a puta da tavijão, agarrando o Manuel por uma perna que grunhe desvairado a tentar alcançar o botão da tavijão)- Bom dia Dizer-te que…
- EU NÃO TAVA A VER IXO ERA O SPIDER MAAAAAN
(Manel) NÃNÃNÃNÃNÃÃÃÃÃ
(e cai com a birra de cabeça para trás)

- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH. IADIZERTEQUEJÁPAGUEIALUUUUUUUUZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ.


Este fim de semana casal adónis parte sem crianças para fim de semana sem horários, sem interrupções, sem banhos birras sopas. OÍEÉ

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Medo

Sábado de manhã acordei às seis e picos com o mais novo. Levantei-me ainda de noite, tirei-o da cama, mudei-lhe a fralda e beijei o mais velho que entretanto acordou. Sentei-os na sala, cada um com o seu leite quentinho e fui fazer o meu balde de café. Sentei-me lá fora já a amanhecer. Onde moro, nesta altura do ano cheira sempre a terra húmida e lenha queimada. Acendi um cigarro e abri o facebook.
Fechei-o instantaneamente ao terceiro post. Voltei para dentro e cheirei os meus filhos que já discutiam na sala. Sentei-me entre eles, e apertei-os como se os quisesse voltar a meter dentro de mim, oh mãe já cheeeeeeega. Não chega. Não vai chegar nunca porque o terror que se passa lá fora, neste mundo onde vos pus, enche-me de pavor, de horror. 
Como se luta contra isto? A possibilidade de algo lhes acontecer, por mais ínfima que seja, é a única altura que me faz arrepender de ter tomado a decisão de ser mãe. Porque quando vos tive não fui eu que virei mãe. Foram vocês que se tornaram pessoas e me tornaram a mim tão vulnerável ao medo constante da queda, do charro, da bomba.
Que mundo é este?...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Não sou de falar de política. Acho tudo uma real merda. Mas, neste caso, urge-me, que se me urge urgentemente, mandar tudo isto para o caralho.
Alguém acredita que algum governo gosta de facto de tomar políticas de austeridade? De ser odiado, achincalhado, insultado over and over again? ( E que, vejam bem, ainda assim ganhou as eleições contra o cristo costa!)
Alguém acredita neste cabrão que toca para o lado que melhor lhe convém, que só vê as coisas dentro do seu poucochinho umbigo?
Mas que merda vem a ser esta?! Vamos andar  agora por uns meses a brincar aos aumentos, subsídios e cortes de impostos depois de todo este monumental esforço que nos saiu do coiro, para depois virem os mauzões da Europa de novo? E a esquerda meter-se novamente aos berros na rua contra este suposto primeiro ministro?
Olhem para a Grécia amigos... 
Foda-se. A sério...

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Pergunta para o queijinho

Sobre esta cena política que se anda a passar, respondam-me como se eu tivesse 4 anos (mesmo):

Porque é que não podemos ir novamente a eleições?......
Duas hipoteses de voto: Coligação de Direita. Coligação de Esquerda.

Hum?...

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Remorsos e sorte

Está uma manhã de cinzenta. Venho mais do que atrasada no comboio. E estou triste. Hoje a noite foi muito difícil e eu estoirei. Palavrões altos e vontade de sair porta fora. Fico louca quando não me deixam dormir, E hoje, o meu pequeno resolveu acordar às 2 da manhã e assim ficar até perto das 5. Venho com aquela puta daquele remorso que todas as mães têm: que não sou suficiente, que me excedo na impaciência, que não brinco, que não beijo, que não amo o que vocês precisam.
Então olho pela janela do comboio e vejo uma menina pequenina com uma mochila cor de rosa três vezes maior que ela correr para apanhar o comboio. E perde-o. E fica aflita, parada, tão pequenina e ali sozinha, com uma grande mochila cor de rosa as costas, a ver o meu comboio partir.
Vocês meus filhos, têm tanta sorte.... E eu, por arrasto, também.