sexta-feira, 30 de abril de 2010

E depois de mais um momento Sexo e a Cidade...

Nada melhor que um desabafo de um taxista deprimido e magoado com a Mercedes...
Mas antes o momento...
Ora então terminamos a 1ª ronda de jantares "fêmea-em-histerismo-a-partilhar-receitas-e-mais-não-sei-quê". Não fui aos último em casa da C, por causa daquele virus todo fodido que vos falei aqui há uns tempos. E o outro foi na minha bela mansão, e como foi definitivamente o melhor de todos porque eu cozinho muita bem, e tenho um pátio com vista para o rio, e mais não sei quê, não vou falar dele para não ferir susceptibilidades.
Mas este último merece post. E que post!
Casa da RR. Aquela maluca. Que tem um smart e o skinny rabiosque sempre apontado para a lua. RR vive numa mega casa de família na Lapa com... TRÊS GAJOS! Não é um, não são dois, mas sim T-R-Ê-S! Ah pois é bebé... Ora portantos, e sendo aquela uma casa maioritariamente de gajum, o que prevalece são as jolas, as jolas, um plasma maior que o cinema do colombo, e as jolas. E a RR, que de parva não tem nada, é a rainha do sítio, mimada por todos os lados, a mandona da casa!
Com isto, obviamente, o jantar não foi de gajas, mas foi sem dúvida original. E as expectativas estavam em alta à séria, porque a nossa querida RR frita um hamburguer e a três metros do fogão de olhos fechadinhos, orando baixinho a todos os santos, apanicada com o que um frigideira quente poderá fazer.
Ora a C, francese, fez um monte de 50cm de altura de crepes. A M, aquela da bimby (e nós todas a olhar, ahhhhhhhhhhh, uhhhhhhhh, ehhhhhhhhhhh), fez gelado para os crepes. E eu, comprei um queijo brie, mel e vai de pôr no forno.
Chegamos à mansão da RR... RR está em frente ao fogão, e atenção! O FORNO ESTAVA LIGADO! Com uma cena com bom aspecto (JURO) a borbulhar lá dentro!! E a RR, de avental, sempre fashion, a fazer o arroz!
Sentamos-nos à mesa. Txananana... NHAMI! RR, mas que coisa boa, mas o que é isto, tem queijo? Tem vinho branco? Tem não sei quê... E ela sorria orgulhosa "Juram meninas, juram? Está mesmo bom? juram?"
Juramos sim RR, tá buédabom mesmo! Diz lá então o que é que isto tem...
"Então é assim... Ontem cheguei de Madrid às 10 da noite e hoje saí as 8.30 do trabalho... Por isso imaginem, não sabia mesmo o que fazer! Então lembrei-me disto! Frango aos bocados, com natas e supostamente sopa de cebola em pó que eu ia jurar que tinha em casa... Mas só tinha de agrião!"
MÁNÁDA! Assim é que é, RR, Ganda gourmet que me saíste!
E pronto. Conversa, risadas, jolas, fotos... Vamos lá embora que já passa da meia noite...
E agora vem o episódio 2.
Já vos disse que tenho medo do bicho papão e por isso RE-CU-SO-ME a andar sozinha na rua a noite (nem para andar 2 metros!). E por esse motivo a RR e o seu home tiveram a gentileza de me deixar dentro de um taxi.
Entro. Eles dizem-me adeus (e ficam a espera que o taxi arranque). O homezito, tipo bola, nos seus 60 e muitos, dá à chave. O carro grunhe em japonês. E guincha. E arrancar, que é bom, nada. RR bate no vidro numa de "'Tá tudo bem?" e o homezito grunhe com o arranque um "áiocárálho" que ele achava baixo mas eu ouvi. E tenta de novo. E outra vez. E à quarta lá pega.
Aceno à RR. Lá vou eu. E então, devagarinho, o meu corpo transforma-se em pedra, com uma tabuleta a dizer "muro das lamentações, se está infeliz faxavor de desabafar aqui", com uma seta a apontar p'ra mim (acho que foi isso que o homezito viu, só pode!).
"Ai a minha bida já biu? Estes bigaristas da Merxedes. Que eu já lá fui nem xei quantas bezes. E o motor de arranque nem tem xeis meses, e eles, aqueles aldrabões da merxedes pah, foda-se filhos do mãe, a menina desculpe, mas depois admiram-xe que a gente bai aos piratas, ou lá o que é, maj eu à merxedes num bolto, e tenho lá duas facturas prábiar, e ixo era o que eles queriam, que a eles não dou nem mais um tosto, ixo é que era bom, porque eu bem xei que eles lebam p'ra mais de 200 euros por um arranjo que o mê jaquim, lá da vila, me arranja por pouco maij de binte, maj o meu medo mesmo é de ficar empanado aí, com exes bandidos que práí andam à noite, que isto a gente nunca xabe, eu à noite num lebo qualquer um, que eu cá tenho medo, que é xó bandidos nesta terra, e a culpa é o xocrates, que deixa entrar qualquer um e maij não xei quê, isto 'tá um horror menina. Olhe. Tou mesmo mesmo triste e dejiludido com a merxedes, nem lhe paxa pela cabeça menina"
Eu tentei dialogar mas não dava. Que o homezito estava mesmo deprimido. Fui fazendo hum hum, ã ã. E pronto. E axim xeguei a caja. E levei desconto de 1 cêntimo na viagem. E o senhor estava muito mais aliviado, que eu bem vi! E o jantar, p'ra não variar soube MESMO bem. Arioupse!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Navegando no imaginário (II)

Sempre foi vaidosa. De mais. O seu sonho era ser princesa. Aos fins de semana, em casa dos avós, perdia-se no campo, seguindos pistas imaginárias para um castelo encantado, um castelo que só ela conseguiria ver, proferindo as palavras mágicas e batendo os calcanhares 13 vezes. E lá dentro estaria um príncepe num cavalo. E a sua roupa de fim de semana transformar-se-ia num vestido rodado, cheio de brilhantes. E o seu cabelo cresceria até ao rabo. Loiro. Brilhante. Com uma coroa de rosas.
E cantava muito. Músicas inventadas. Carregadas de sonhos açucarados. Com passarinhos bebés. E pintainhos porque ela adorava pintainhos.
- Mãe hoje a senhora do vento disse que eu ia ser muito feliz...
A mãe desvia os olhos do livro e olha-a com ternura sorrindo.
- Ela disse-me, mãe, que eu vou ser cantora e o meu príncepe me vai dar flores todos os dias. E anéis também, porque tu não me deixas usar anéis.
- Minha querida... O mundo está aos teus pés... E é todo teu! Agora deixa a mãe ler, está bem? Vai brincar lá para fora.
E ela foi, rodando a sua saia de piriquitos. Ela amava a saia dos piriquitos.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Discurso coerente (II)

Telefone toca, é o pai...
- Ai querida... (tom de desespero)... não imagina o que aconteceu...
Eu apanico... ai meu deus, o que foi desta vez...
- O que foi pai, o que é que aconteceu??
- Ai Tata... ai... o meu ambrósio...
(silêncio)
- Quem pai?
- Como quem? O MEU PEIXE! Morreu...
(eu cheia de esgares)
- Oh pai deixe lá, às vezes os peixes não se adptam bem aos aquários e tal...
(não aguento e solto uma gargalhada, achei que ele estava a brincar)
- Não se ria coitadinho... e não foi por causa do aquário (isto já em tom de "ÉS UMA INSENSÍVEL DE MERDA MASÉ!"). Só que ele fica... quer dizer, ficava, doido cada vez que eu me aproximava do aquário, porque eu estava a treiná-lo. E provavelmente eu passei e ele, doido pelo miminho, saltou atrás de mim, eu não vi, e olhe... morreu...
(eu fico meia, tipo, seilá, que é que se diz na morte de um peixe??? os meus pesames??)
- Pois... coitado... deixe lá!
- O pior é o Tobias! Está com uma depressão tal que não sai de trás das algas!

...

E queriam que eu fosse normal não era meus marotos???

Discurso coerente

- Puta da minha vida. Estão 47º aqui dentro e a porra do ar condicionado está estragado...
- Vai lá fora fumar.... Molha a fuça...
- Já molhei... que caraças de vida. Vou mas é bazar!
- Tenho de desligar, estão a chamar-me.
...
bip bip (som da sms)
"Já arranjaram o ar condicionado. Agora tou GELADA! Conho!"
tic tac ten ten (eu a escrever sms)
"LOOOOOL! Benvinda ao meu mundo, no verão morro de frio no inverno de calor!!"
bip bip
"Porca"
tic tac ten ten (eu a escrever sms)
"Vespa"
bip bip
"Isto é castigo! Quem disse que deus era bom?"
tic tac ten ten (eu a escrever sms)
"O senhor JASUS!"
BIP BIP
"Quem é esse?"
tic tac ten ten (eu a escrever sms)
"Um bacano hippie, que alucinava uma beca no deserto, de túnica branca e barba comprida... Agora pensando melhor não sei porque fomos todos na conversa dele... DRÓGADO ALUCINADO masé!"
BIP BIP
"AHAHAHAHAHAH!Puta cabrona!"
tic tac ten ten (eu a escrever sms)
"És tu e o teu cu! ARREBENTÁBOLHA! "

Eu e a minha irmã somos muito maduras. E crescidas. E bem educadas.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Navegando no imaginário (I)

Ela olhava, lambuzando um chupa-chupa cor de rosa choque, amarelo, azul e verde alface. A brisa massajou-lhe a saia, rodada, cheia de piriquitos.
O chupa era mesmo bom... Sabia a algodão doce... Quando acabar, peço outro ao 'vô. Pensava ela para si, enquanto olhava.
A cena era a mesma de ontem, anteontem, e antes de anteontem. O senhor das facas assobiando em histerismo lá fora. A vizinha do 2º com cara de buldog idoso, a passear o seu buldog com cara de senhora idosa.
A música era sempre alta. Sempre o foi naquele palácio escondido. Mas ela já estava habituada.
E então o estrondo. O grito. O bate porta.
A mãe sai de casa disparada. O pai tranca-se no quarto.
Este chupa é mesmo bom - pensa ela para si mesma. Sabia a algodão doce, e de certeza que o 'vô lhe daria quantos mais quisesse.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Avózinha de mê coração (III)

- Vou levar o avô a beber um galão escuro que é a coisa que ele mais gosta!
- Que querida avó, faz bem!
- E parece que o tempo está melhor, eu e o avô vamos para a praia grande!
- Nice! Veja lá que a avó está velhinha velhinha e com estas mundanças de tempo sabe-se lá! eheheh!
- Pois estou velhinha! Mas vou comprar um biquini minúsculo que vocês usam agora para ficar com o rabo queimadinho!

Arrefinfa-lhe.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Rebolta

Ah e tal, que é bom a gente trabalhar, e mais não sei o quê, há que ser útil e independente, e satisfazer necessidades intelectuais, e béus béus béus, e nhacs nhac nhac...
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1. Bom bom é não fazer puto. Aliás, fazer, mas só tipo viagens e cenas e manicures e massagens... vá, ler um bom livro também está no meu top 10.
2. Ser útil e independente... hã hã, coisa boa ser independente e estar 10 horas por dia enfiada num escritório p'ra receber uma caganita que me cai na conta ao dia 23.
3. Satisfazer necessidades inteletuais...
... Satisfazer necessidades inteletuais...
... Satisfazer necessidades inteletuais...
... Satisfazer necessidades inteletuais...
... Satisfazer necessidades inteletuais...
EU DOU-VOS AS NECESSIDADES INTELECTUAIS! Minhas frustradas!

Estou revoltada com a minha situação de mulher moderna. Queria imenso estar em casa a fazer croché. Ou filhos. Ou sopa. Ou bolos. Ou a ver o Bom Dia Portugal. Juro.