quarta-feira, 20 de julho de 2011

Transborda-me a alma... Fecho os olhos 2 segundos apenas e de repente já lá vão quase 5 meses... E a alma transborda para fora coisas ocultas, que não chorei, que não lembrei, das quais não falei... Olho-te meu pequenino, sem o cansaço das noites, a obrigatoriedade dos biberons, os beijos repenicados e vejo tudo de novo... Aperta-se o coração numa angústia que já passou mas não foi vivida. Vejo agora que não fui corajosa, nem se quer valente. Entrei num estado de espírito dormente, anestesiado, amorfo, e parece que só agora revivo as lágrimas que não chorei.
Irrito-me pela leveza com que deixo as coisas passar... Irrito-me. Porque sim, é verdade, estás aqui, implantado na minha vida, enraizado no meu coração, corres-me nas veias, nos sonhos, no próprio respirar... Já não sei o que digo... estou nostálgica.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

e agora derepente apercebeu-se-me...

...preciso de arranjar os pés, tirar o buço, depilar as pernas, cortar o cabelo, arranjar as mãos, endiretar as costas, reler o dicionário para ganhar vocabulário sem "inhos", perder 4 kilos, rever o armário, procurar os sapatos de salto alto... ai e só tenho NEMUMMÊS!

domingo, 17 de julho de 2011

A menos de 1 mês...

Falta menos de um mês para voltar à carga à vida real... Para me levantar de madrugada, pé no acelerador, comboio e metro (sim porque viver no paraíso tem destas coisas).
Confesso, morro de saudades do trabalho. Não só das amigas, da vida de crescida, dos horários e gargalhadas no café, mas também do trabalho mesmo. Sei que em casa podia perfeitamente exercitar a mente lendo um jornal, actualizando o blog, etc etc, mas a verdade é que em casa amolece-me o espírito... Para além disso o meu pirralho conquista-me todas as atenções, desdobro-me em mil para conseguir gozá-lo, educá-lo, mimá-lo, curti-lo só para mim, como sei que, a menos de um mês, não o poderei fazer mais.
E por isso, ao lado das saudades da vida de crescida e do meu espaço, vem um aperto... Olho para o meu besnico e dá-me vontade de chorar de pensar que a nossa rotina vai ser quebrada... Que não vou estar eu o dia inteiro com ele, a beber cada novidade que constantemente me dá. E tenho medo que ele se sinta abandonado, que não me perdoe... E isto é estupido, eu sei, mas efectivamente... sou mãe.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Hoje recebi pressão para voltar a escrever... eu própria várias vezes abro o blogger, mas rapidamente volto a fechar...
Parece que algo mudou dentro de mim, e não sei como escrever, nem sei, aliás se o deva escrever. O meu humor oscila entre uma nostalgia vaga do que já não sou, e a euforia deste novo papel que intensamente vivo desde que nasceu o meu filho. O MEU FILHO... Acho que é isso.
Mas sim, tenho saudades de escrever... Acho que o facto de estar completamente desconectada do mundo (ainda estou para descobrir quem é afinal o FMI...) não ajuda, porque como já aqui referi, faz-me sentir embrutecida.
Mas não me interpretem mal. Acho que nunca conheci a felicidade de forma tão plena! Apenas recordo os momentos que vivia no refeitório, com as minhas colegas mães, e sim, é giro saber que os meninos já andam, ou dizem méda, mas sinceramente, quem quer saber do arrotinho sorrisinho peidinho ou papinha constantemente?...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Amar assim

Um dia meu amor, vou-te contar a história de amor que eu e o teu pai vivemos até te desejarmos... Vou contar-te cada entrelinha, cada sorriso, cada sonho. Vais saber o momento que decidimos que era o dia, que projectamos a vida com mais um membro. Vais saber como demos a mão e choramos quando soubemos que vinhas a caminho... quando te vimos pela primeira vez no médico, e viraste gente apesar de apenas com milimetros... Vais saber a emoção que sentiamos sempre que crecias mais um pouco, a expectativa crescente de te conhecer... A alegria de recebermos as primeiras ropinhas, a procura da casa perfeita para poderes crescer... Um dia meu amor, vais saber o aperto que sentimos quando nos disseram que algo não estava bem. Mas vais saber também que mais um vez demos a mão e juntos decidimos que serias capaz. Um dia meu amor, conto-te cada pedaço da tua história, que é minha e do teu pai também, e vais conhecer o amor incondicional que já sentiamos por ti quando todos os sinais pareciam escuros. Vais saber que nunca desistimos, sempre acreditamos que seriamos capazes, que serias capaz de vencer essa e qualquer outra batalha. Vou contar-te então o dia em que nasceste, que te vimos, pequenino, perfeito, estupidamente nosso. E choramos, eu e o teu pai, porque chorar só cabe a quem é valente e a quem sabe o que é amar assim.

sábado, 21 de maio de 2011

É verdade... este blog perdeu a graça. A minha mãe diz que estou a ficar embrutecida, preciso de ler um livro urgentemente... ou ver o telejornal.... Mas não consigo. Estou para lá de exausta, tenho a mioleira empapada em fraldas e biberons (sim que a história da mama é muito bonita e que faz bem ao menino, mas o meu menino é um alarve e eu não tenho produção leiteira que aguentem a fome dele).
A minha vida mudou. Já não saio de manhã para ir trabalhar, abro o publico online e converso com os colegas sobre FMI's e cenas dessas actuais. Agora a minha vida é outra. Ligo à mamã de manhã e conto-lhe quantas caquinhas fez o menino, ai que hoje bebeu 180ml no biberon, e que se riu quando bocejei. A verdade é que ainda nem 3 meses passaram, e a minha vida mudou. Ganhou tempero. Ganhou um sentido maior que eu. E não sei se isso são coisas que se partilhem assim.
Prometo que volto à carga quando deixar de ficar embrutecida. Nem que seja em Agosto, quando voltar a trabalhar!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Devagar a vida da tata começa a entrar nos eixos... É ver-me de automóbel toda independente, de cá para lá com a criança ao lado... É ver-me toda maluca, de manhã, com tempo para um banho e fazer a cama de lavado e beijocar a criança sem barraria a torto e a direito... E devagarinho, sinto-me a ganhar tino na vida de mãe... Confesso que o inicio foi assustador, que a criança tinha momentos que parecia possuida pelo demo, e eu, como bela fêmea carregada de hormonas histéricas, a culpabilizar-me, ai que a crinaça sofre e é nervosa por minha causa! Mas agora não... Sinto-me mais confiante, conheço-lhe as manhas, as horas, os choros... Amo-lhe os risinhos, os sobrolhos franzidos, os gemidinhos a mamar...
Estou completa. Estou feliz...