segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A minha primeira barriga vai fazer quatro anos... Quatro. A minha segunda barriga já tem a mania que tem vontade própria e tem dois dentinhos.
A minha primeira barriga, aquela explosão de sentimentos, totalmente aleatórios, completamente absurdos, faz quatro anos no domingo que vem. 
A minha segunda barriga ri-se com gargalhadas e faz burrico velho. Querido pá...
As minhas duas barrigas já começam a comunicar um com o outro. Oia maneli. Axim vomitas, não chores que estou aqui. E ele responde com um grunpfgrnhau. E eu, da porta da rua, faço de voyeur e pergunto-me quando foi que isto aconteceu, isto do tempo lhes dar tamanho e vontade?...
A minha primeira barriga come-me com beijos, tem um complexo de édipo apaixonante, é vagamente piegas e estupidamente cômico. E faz já, no domingo que vem, quatro anos. E a minha segunda barriga vai estar cá para lhe soprar pela primeira vez de muitas as velas de aniversário.




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A minha vida é boa

A minha vida é boa. Tenho dois filhos saudáveis, cada um mais giro que o outro, acho aliás que são as melhores crianças deste mundo, sorriem, comem bem, começam a deixar-me dormir convenientemente, fazem sucesso nas ruas e cafés. Tenho uma casa no campo, é pequenina mas acolhedora, o quarto dos meus filhos é quentinho e tem o princepezinho na parede. Tenho brinquedos suficientes para os entreter, tenho internet e tv cabo, tenho um cão, paneleiro mas tenho um cão, dois carros e o passe para o comboio. Todos os fins de semana bebemos café fora, compramos legumes na mercearia local, e borrego no talho da terra, quando está sol grelhamos entrecosto na rua e temperamos as batatas com alecrim colhido diretamente do canteiro. Da janela da sala vejo a serra, e do meu quarto o palácio da pena, de noite quando está calor durmo de janela aberta e oiço grilos e corujas. Se me distraio entram pirilampos no quarto. Todos os dias levanto-me as 6 da manhã, arranjo-me e ponho salto alto para vir para um trabalho que gosto. O meu marido parece um modelo, é só pinta, cabelo loiro, constante sorriso que condiz com a sua maneira positiva de encarar a vida. Ainda por cima ama-me à séria, como diz o meu filho mais velho. Eu também o amo. Tresloucadamente. Discutimos pouco e apanho-me às vezes a mirá-lo enquanto faz jogos com os putos na sala.

A minha vida é boa. Sei que me queixo, sou piegas e canso-me com facilidade. Passo-me quase todos os fins de dias, entre banhos, birras e sopas e tenho vontade de matar alguem quando me acordam de noite. Mas a minha vida é genuinamente boa. 



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Quando andamos a correr, egoístas no nosso pequeno dia a dia, queixosos da rotina, do comboio que vem atrasado ou da noite mal dormida, não nos apercebemos da sorte que temos pelo simples facto de nos podermos dar ao luxo de estar chateados com pintelhices. Como ser humano que somos, por norma, não dizemos ou sentimos que somos assim mesmo felizes. Porque somos ingratos e havia sempre algo mais que podíamos ter...
Eu própria sou assim. E neste momento estou zangada. Zangada comigo, zangada com a vida , zangada com Deus. 
A vida brinda-nos às vezes com pessoas maravilhosas. Pessoas que nos ensinam quase que com uma chapada de luva branca neste focinho egoísta e ingrato, que nos devíamos mandar para o chão e agradecer. Só agradecer, parar de exigir e contemplar pelo menos 5 minutos por dia o céu azul, a gargalhada dos nossos filhos, o jantar na mesa, a saúde que temos. 
Estou triste, tão triste. Minha tia valente, minha tia do cancro teimoso, esse cabrão que te vence agora, ensinaste-me tanto com a tua persistência e coragem. Ensinou-me esse vosso amor, essa vossa entrega aquilo que realmente é importante. Descansa agora que mereces... Mas deixa-me que chore zangada, só por hoje, por não entender esta puta de injustiça. Um beijinho do tamanho da sua fé...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Por causa do post anterior

Por exemplo, agora estou a ouvir a banda sonora do pearl harbor, está uma risca de um avião a rasgar um céu de repente azul, e eu lembrei me do cheiro a lavanda do abraço do meu avô e fiquei com vontade de chorar.

Isto pode ser fruto do cansaço não se preocupem

Isto é a minha cabeça, a vaguear naqueles momentos que tenho meus a caminho e de volta do trabalho. Eu sou de tal forma influenciável que a música que ouço altera em absoluto o meu estado de espírito. Ora venho toda contente a bater o pé e aos estalinhos na língua a ouvir avicii, ora entro numa espiral absolutamente profunda e filosófica a ouvir noiserv. Este post não tem sentido absolutamente nenhum, mas dei por mim a olhar pela janela do comboio, e no momento h da música um raio de sol atravessa furioso uma nuvem e atinge-me a cara. E sem saber porquê achei isto altamente poético. E bonito. E pronto, agora vou mudar de música  e imaginar-me toda maluca a dançar a ouvir Sara Tavares.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Para mais tarde recordar (inlove)

Depois de fazer uma alisamento ao cabelo, vou buscá-lo à escola.
Abraça-me e vai para o baloiço:
_ Tu és uma pinxeja xofia mãe. Os teus cabeios estão munto lindos...

A jogar computador comigo na sala à noite:
_Tu nunca vais ficar xójinha mãe, nuuunca!

Prendo o cabelo na correria do fim de dia:
_ Uau mãe, táj linda pa mim!

E depois assim do nada em inumeras situações no dia a dia:
_ Gosto munto de ti mãe.
_ Tu és uma linda
_ Tu és uma pinxeja e eu xou um pinpixe.

este complexo de édipo está a dar cabo de mim....