Às vezes é um abismo estranho esta minha cabeça. Micro segundos
que passam e a sensação de efemeridade dá cabo de mim. No fundo eu sou uma
preguiçosa. Todos me gozam porque digo que mal posso esperar por chegar a
velha. Ui c’a maravilha, vida: check. Cansa-me esta correria. E às vezes nem
sei porque corro, mas corro e corro e corro. Credo, que canseira. A minha vida
espremida ao detalhe é um caos assustador e maravilhoso. Tenho brinquedos no
fundo dos lençóis, banana e bolacha maria coladas no chão, cheirinho a bebé nas
toalhas de banho. Tenho uma gripe e não tenho tempo de a curar. E um trabalho
que, bom é melhor não falar nisso. Acho que pari os meus neurónios com o meus
filhos e agora toda eu sou amor e medo e cansaço. Uma cena completamente
irracional e ilógica.
Morro de saudades do meu avô. Oh Santito já manda no banco? Oh avô...
Então não mando? Rezo por si todos os dias. E eu por si avô...
E volta aquela sensação esquisita de pressa e medo que o tempo passe.
Olho para o Manuel e quero que ele cresça e durma e coma sozinho. Olho para o
salpico e tenho saudades dos caracóis de bebé.
Tenho tantas saudades do meu avô. Ria-se muito baixinho e chorava
sempre, e limpava as lágrima de riso com as costas das mãos. Acreditava tanto
em mim, que quando penso nisso fico com vontade de largar tudo, e escrever
romances no meu jardim a fumar charros e beber vinho branco. Estou a brincar. Mais
ou menos.
Caos. Mãe, está a ler-me? Precisava taaanto que dormisse hoje com
o Abdul. Tenho quilos de sonhos para pôr em dia.
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