segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Quando andamos a correr, egoístas no nosso pequeno dia a dia, queixosos da rotina, do comboio que vem atrasado ou da noite mal dormida, não nos apercebemos da sorte que temos pelo simples facto de nos podermos dar ao luxo de estar chateados com pintelhices. Como ser humano que somos, por norma, não dizemos ou sentimos que somos assim mesmo felizes. Porque somos ingratos e havia sempre algo mais que podíamos ter...
Eu própria sou assim. E neste momento estou zangada. Zangada comigo, zangada com a vida , zangada com Deus. 
A vida brinda-nos às vezes com pessoas maravilhosas. Pessoas que nos ensinam quase que com uma chapada de luva branca neste focinho egoísta e ingrato, que nos devíamos mandar para o chão e agradecer. Só agradecer, parar de exigir e contemplar pelo menos 5 minutos por dia o céu azul, a gargalhada dos nossos filhos, o jantar na mesa, a saúde que temos. 
Estou triste, tão triste. Minha tia valente, minha tia do cancro teimoso, esse cabrão que te vence agora, ensinaste-me tanto com a tua persistência e coragem. Ensinou-me esse vosso amor, essa vossa entrega aquilo que realmente é importante. Descansa agora que mereces... Mas deixa-me que chore zangada, só por hoje, por não entender esta puta de injustiça. Um beijinho do tamanho da sua fé...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Por causa do post anterior

Por exemplo, agora estou a ouvir a banda sonora do pearl harbor, está uma risca de um avião a rasgar um céu de repente azul, e eu lembrei me do cheiro a lavanda do abraço do meu avô e fiquei com vontade de chorar.

Isto pode ser fruto do cansaço não se preocupem

Isto é a minha cabeça, a vaguear naqueles momentos que tenho meus a caminho e de volta do trabalho. Eu sou de tal forma influenciável que a música que ouço altera em absoluto o meu estado de espírito. Ora venho toda contente a bater o pé e aos estalinhos na língua a ouvir avicii, ora entro numa espiral absolutamente profunda e filosófica a ouvir noiserv. Este post não tem sentido absolutamente nenhum, mas dei por mim a olhar pela janela do comboio, e no momento h da música um raio de sol atravessa furioso uma nuvem e atinge-me a cara. E sem saber porquê achei isto altamente poético. E bonito. E pronto, agora vou mudar de música  e imaginar-me toda maluca a dançar a ouvir Sara Tavares.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Para mais tarde recordar (inlove)

Depois de fazer uma alisamento ao cabelo, vou buscá-lo à escola.
Abraça-me e vai para o baloiço:
_ Tu és uma pinxeja xofia mãe. Os teus cabeios estão munto lindos...

A jogar computador comigo na sala à noite:
_Tu nunca vais ficar xójinha mãe, nuuunca!

Prendo o cabelo na correria do fim de dia:
_ Uau mãe, táj linda pa mim!

E depois assim do nada em inumeras situações no dia a dia:
_ Gosto munto de ti mãe.
_ Tu és uma linda
_ Tu és uma pinxeja e eu xou um pinpixe.

este complexo de édipo está a dar cabo de mim....

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Moi aussi, je suis charlie

Uma pessoa anda aqui a pôr crianças no mundo. Empenhada de corpo e alma em formar seres humanos, bons, respeitadores, apaixonados e livres. Livres caralho.


Uma pessoa tem esperança nesta merda deste mundo, esperança que as coisas sejam como nós as espelhamos. Que sentido faz um mundo que não nos encaixe, não nos receba de forma plena e de acordo com o que acreditamos? Afinal, porque andaríamos nós, eu pelo menos, a sujeitar o meu coração a este amor imenso e avassalador que é o de ser mãe, se não acreditasse que sim senhor, é possível ser-se bom, ser-se feliz, ser-se livre? Livre caralho.

O maior risco de sofrimento a que nos sujeitamos é precisamente quando decidimos ser pais. Não existe puta de dor maior do que a de ver um filho sofrer. E então, todos os dias acordo de manhã e acredito, então não havia de acreditar? Acredito e luto por ser uma pessoa melhor, por fazer à minha volta as pessoas melhores, para que este mundo seja um bocadinho de nada mais digno para receber as pessoas mais importantes da minha vida, os meus filhos. E de repente, uns cobardes encarapuçados de alá, uns paneleiros escondidos atrás de armas, uns monstros de merda destroem mais um pouco a minha esperança, a minha fé, a minha crença, a minha vontade de lutar…

Hoje, amanhã e sempre, je suis Charlie. Porque para os meus filhos eu só quero um mundo livre.
L-i-v-r-e caralho.


(título roubado do "tio caldeira")

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014

Os dias sobrepõem-se a uma velocidade alucinante. Os segundos atropelam-se, e nós sempre a correr, janeiro é oficial, estou grávida, fevereiro no aperto, ai jesus será que está tudo bem, dejavus de uma primeira gravidez de susto, março chega e traz a confirmação de que tudo está bem afinal, faz 3 anos o pimpolho (Três??? Como três???), doente e sem poder receber as coijasboas que é o que mais gosta na vida (salpico, gostas mais da mãe ou de chocolate? de chocolate mãe, tu não xe comes!), vem abril águas mil, a barriga a dar de si, e consigo o cansaço de quem mora longe de onde trabalha, tem um filho pequeno que inicia uma fase assustadora de pesadelos, e de repente é maio, a gravidez ralha-me com contrações inesperadas, vou de baixa e sou internada uma noite, o medo de novo, os incómodos de uma barriga pesada que não permite colo ao um piolho gorducho, com isto vem junho que é logo devorado por julho, o mês que nasce o meu Manuel, inspiração no meu avô aviador (como é possível não estares cá já há mais de um ano? Tenho tantas saudades suas…), a paixão de novo por um ser de três kilos (que chorava, oh jesus, o que chorava aquela criança), no meio disto as putas das hormonas, e cá fora a ruir o banco onde trabalho, agosto passa a correr, vem setembro, a criança acalma, começo a ganhar rédeas a esta nova vida, com olheiras, muitas olheiras, mas devagarinho a atinar, nisto atira-se o miúdo pintainho numa tosse, que piora de dia para dia, vamos ao hospital e tiram-me o miúdo dos braços, a correr para o SO, em isolamento que pode ser tosse convulsa, e confirma-se depois, 10 dias de internamento, noites num cadeirão, o medo, o instinto assassino de mãe perante um filho que sofre, vai-se outubro e vem novembro, regado ainda no medo daquela puta daquele mês, cuidados mil, dias minúsculos, e de repente é dezembro, como pode ser, começo já a trabalhar? E começo mesmo, mas não de onde saí, trabalho agora num “banco bom” seja lá o que isso for. E foi o natal. E eis-me aqui. No final de 2014, a entrar em 2015. Estou cansada. Um bocado assustada também. E olho rapidamente para estes meses que passaram, que meses que fizeram 2014, me deram mais um filho, me atiraram no medo do desemprego, que mudou, afinal, tanta coisa na minha vida, e fico com uma vontade louca de te beijar na boca. Minha brasa… és o melhor da minha vida… obrigada 2014 por reforçares uma coisa tão boa.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Aperto

Deixei dois texugos no quentinho para sair de madrugada rumo ao trabalho... E seja o que deus quiser!