segunda-feira, 27 de julho de 2015

Cenas de mãe e outras que tal

Ando numa fase boa. E má. Já passaram mais de dois meses desde que deixei de fumar, e ando bem. Engordei, detesto sentir o botão apertar em esforço, mas diz que estou com a pele mais bonita. Agora venho no comboio a fazer uns exercícios abdominais, impecável, ninguém repara que estou sem respirar e a contorcer os músculos que tenho por de trás da xinxa.
O meu adonis também deixou de fumar e, benzádeus, que se era maravilhoso, agora está extraordinário. Lindo que dói. Estamos os dois numa fase boa.
Mas inconscientemente, fica uma espécie de uma raivinha interior, uma lagrimazinha fácil, uma coisa difícil de explicar mas que, traduzindo por palavras é algo como "falta qualquer coisa". Não é desesperante, mas é uma moinha que às vezes é fodida. 99% do meu dia estou certa que nunca mais voltarei a fumar. Ms depois há aquele 1%, depois de uma noite má, ou algo que o valha, que penso por micro segundos: what the fuck, só se vive uma vez.
Estou-me cagando para o tabaco, estou livre dessa merda e isso é bom.

Ando numa fase boa. E má. Tenho mais energia, mas também tenho mais ... como dizer... sentimento?! Não sei, a minha pele transpira cenas, ora raivas, ora amores, ora vontade de chorar, ora vontade de rir. 
O meu filho mais velho teve um aceso de loucura e mandou fora as chuchas. E eu tive vontade de chorar, quase me atirei aos seus pés aos berros: NÃO FILHO PELAMORDEDEUS PARA IMEDIATAMENTE DE CRESCER! Mas contive-me, bati palmas, dei-lhe gelados e uma merda caríssima que atira um minion pelo ar.
Às vezes odeio ser mulher. É muito sentimento para um coração só.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Eu sou uma pessoa exagerada. No que sinto, no que digo. Quem me conhece sabe que sou capaz de dizer as maiores barbaridades, principalmente no que toca à maternidade: ai que não me deixou dormir vou devolvê-lo à segurança social, ai que já pesa mais de dois quilos pode ficar no colégio militar, ai tu que tens saudades de bebes eu dou-te o meu de bom grado e vou buscá-lo quando completar os 18 anos. E muito mais que não digo porque não sei quem me lê e ainda fazem queixa de mim à proteção de menores.
Eu sofri muito nos meus dois pós parto. O chão fugiu-me debaixo dos pés naquele choro berrado e timbrado dos meus dois filhos. Eu optei por só dar de mamar mês e meio, porque me sentia sufocar naquela dependência só de mim para poderem comer. Eu sinto falta de, na minha caminhada de volta a casa, seguir em frente para a graça para finais de tarde descomprometidos e carregados de imperiais, em vez de virar na estação dos restauradores rumo a uma corrida extenuante para creches, birras, sopas e banhos. Peço tantas, mas tantas vezes que os meus filhos cresçam, que sejam independentes.
Mas aqui me confesso: 
O meu Manuel pequenino, o meu filho moreno e refilão, o meu sorriso com dente sim dente não, ditador das noites infernais, fez ontem um ano de vida. Um ano. E eu tive vontade de chorar com a inevitabilidade do tempo...

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Hush little baby don't you cry

São tarados encapuçados que matam em nome que um deus implacável. São pessoas que fazem filas para levantar os 60 euros que lhes são autorizados. E políticos a fazerem blufs, a fazerem da vida das pessoas um jogo de pocker. São crianças raptadas e torturadas, são animais mortos porque sim. É um império chinês a entrar em pânico e o ocidente a conter o ar , que agora é que é, vamos todos pelo ar. São pessoas com preconceito contra o amor que não tenha a forma que lhes cabe na tacanhez. E que se enchem de ódio só porque... Não sei porquê... 
São corruptos, pessoas más, primeiros ministros presos, um mundo que, Foda-se, é nojento.
Estou farta. Quero isto. Quero o mundo deste lulaby, um mundo a fazer-se melhor para nos receber. Quero a esperança de novo, dás-ma?...

terça-feira, 7 de julho de 2015

Isto de ser mãe

Passo pela cozinha e apanho salpico a roer um choriço tal e qual um cão rói um osso. Paro incrédula a olhar. Ele vê-me e manda o chouriço pelo ar. Testa-me o humor fitando-me. Eu tenho vontade de rir mas continuo muito séria batendo com o pé no chão. Ele sorri. Vê que não correspondo, para de sorrir. Tenho muita vontade de rir. Ele voltar a sorrir. E eu nada. Pergunta-me por fim: Tu tajangada? Respondo-lhe torcendo-me para não me rir: O que é que acha?! Responde-me imediatamente: Tu adólas mim?
Viro costas a rir, sigo o meu caminho, mama lá o chouriço puto, whatever...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Sobre isto da Grécia

Acho bonito isto de ter "colhões" na hora de pagar, estas festas com musicas e abraços, abaixo o guito viva a dignidade  etc e tal. A sério que acho. Podiam era ter dito não à dívida, mas não, mamar é fixe.
Ou eu sou de facto muito de direita, muito mais do que achava, ou então não percebo esta merda de se fazer manguitos na hora de pagar a quem empresta. E toda a gente aplaudir porque o dinheiro não interessa, temos orgulho e o caralho. 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Não aguento mais e tenho de dizer isto

Desculpem-me veggans desta vida, mas por enquanto ainda somos todos livres de dizermos (e comermos) o que bem nos apetecer.
Não sei que raio de onda se instalou nas redes sociais mas agora, post sim post não, levo com uma foto de um peixinho a berrar socorro perante a faca assassina de um sushi chef. Ou um caracol chorando baba (e ranho) enquanto aguarda a sua vez de ser cozido vivo. Ou uma vaquinha bebe que chama pela mãe que está no matadouro. Todos contra. Com manifestações e petições. Opa, desculpem, se calhar vou ofender alguém, mas caramba. Eu também não vos abro guerras contra a extinção das beringelas certo?? Nem vos mando morrer por grelharem toffu nos santos populares pois não?
Que exagero é agora este em redor da defesa dos animais?
Obviamente a queima de um gato vivo por lazer choca qualquer um, e esse sim é um acto que merece a atenção de todos, justiça inclusive. Mas vamos lá a ter calma, sim? Choca-me tanto mas tanto mais todas a crianças que morrem com fome neste mundo. Ou mulheres escravas sexuais, às vezes aqui mesmo ao nosso lado. O caracol na panela, desculpem mas não. Comam couve à vossa vontade, mas não me fodam a cabeça e deixem-me lambuzar de sashimi à vontade, pode ser? Ou então revoltem-se contra os leões, esses cabrões que não param de engolir gnus à bruta!