sexta-feira, 10 de abril de 2015

Tudo na vida é relativo, bem sei. Ainda assim...

O meu filho mais velho, salpico de gente, coisinha loira fofa de sua mãe, foi um grandessíssimo cabrão, mesmo mesmo cabrão, na gravidez, e até pelo menos completar 12 meses de vida e muito quilos: uma criancinha adorável que não gostava de dormir. Lembro-me de pensar no aijesus que isto podia ter sido tão grave, afinal está tudo tão bem, o puto só não gosta é de dormir, e tal, MASPORQUEÉQUESÓMEAPETECECHORAR?
Uma merda isto de não domir. Atenção, que o meu príncipe loiro não passou a anjo noturno com 12 meses de Vida e muitos quilos. Não senhores. Foi com 12 meses de vida e muitos quilos que me deu a PRIMEIRANOITECOMPLETADESONO para aí até as 6 da manhã. Foi um forrobodó lá em casa. Desde então foi tendo fases, já grávida do meu filho mais novo (já falo desse estupor) eu e adónis fazíamos turnos com colchões no chão do quarto do menino que resolveu que tinha leões dentro da cama.
O meu filho mainovo nasceu com o trombone em volume elevadíssimo. A cria era infernal, juro, que me chorava noite e dia , um horror, e eu a vomitar hormonas e leite, a achar que algo de errado se passava comigo. Depois melhorou, mas só no volume do trombone. Que minha cria mais pequena, coisa escura e carregada de dentes de sua mãe, é um estupor vaguissimamente melhor que o irmão na questão dos sonos, mas mesmo só vaguissimamente. Hoje por exemplo, eis-me aqui, a pé desde as 3 da manhã, com um biberão dado à 00:30. Um espetáculo, deu para lavar o resto da loiça do jantar, preparar lancheiras e tomar um banho mais longo. Mas, neste momento pessoas, sinto-me um caco, uma espécie mole de gente, cansada, amorfa, inútil, apavorada. E sem neurónios.

Tudo na vida é relativo, bem sei, mas, deus meu, a serio, porque não dormem os meus filhos? Hum? PORQUÊCARALHO?

quinta-feira, 9 de abril de 2015

quem sou eu afinal

Sou de impulsos. Às vezes gostava de me ver de fora, o meu adónis dizia-me isso ainda ontem, gostava de ver como me vêm os outros. Eu acho-me de impulsos.
Tenho ataques de fúria e mando maços de tabaco pelo ar. Depois vou a correr busca-los ao caixote de lixo.
Eu não corro (exceto atrás deles, e vou a bufar, sempre), eu não faço exercício, não tenho particular cuidado com a alimentação, não bebo água, mas, em compensação, bebo minis. Muitas.
Eu às vezes acredito e ponho o meu filho mais velho a rezar antes de dormir, mas o meu pequeno e escuro mainovo ainda não foi batizado. E a minha avó fica muito aflita com isso. E eu, às vezes, também…
Eu adoro ser mãe, que adoro, mas ainda no outro dia, em conversa com o meu chefe lhe garanti que se pudesse ser única e exclusivamente mãe, fugia para muito longe. Eu adoro, que adoro, ser mãe, mas tenho momentos que sinto tantas saudades daquele passado livre e desprendido, rumo a uma Graça cheia de miradouros, e, lá está, muitas imperiais. Sem sopas. Nem banhos. Nem birras. Nem dores de costas de morte a transportar putas de ovos com bebes amorosos de 11 kilos lá dentro.
Eu fico muito zangada quando o meu filho mais velho come com as mãos, ou põe o cotovelo na mesa, mas, aqui confesso, que às três da manhã já berrei palavrões muito muito muito feios.
Eu acho que tenho mau feitio, mas na mesma conversa com o meu chefe que mencionei há pouco, ele disse que eu era uma pessoa muito afável. Lol. A sério? Eu que acho que estou constantemente com vontade de mandar dentadas furiosas a milhões de coisas que me irritam. Isto porque também me irrito com muita facilidade, e sem qualquer tipo de critério (o tipo que sabe tudo, a tipa que é excessivamente simpática, a puta da chuva a caminho do trabalho depois de perder tempo de manhã a esticar os 4 cabelos que ainda me restam).

Entretanto privatizei o blog mas, como podem ver, já me arrependi. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

Tenho de endireitar as costas. Ombros para trás, queixo para cima.
Eu sou dramática. Sou, é assim mesmo, o meu filho mais velho sai a mim, se está feliz gargalha com a alma, se fica triste o mundo vem abaixo numa cascata de lágrimas sentidas e pesadas. Eu não choro nem rio dessa forma. Mas a alma, o que sinto, transborda, é horrível e ótimo. É horrível porque, por ser assim, não consigo relativizar as coisas, dar-lhes uma dimensão real. Ou melhor, consigo, mas só depois de passarem.
Sinto-me cansada, tão mas tão cansada. Não durmo, não paro, corro o dia inteiro, corro a noite inteira. Saio do meu papel de mãe para o de profissional corro para o de mulher, volto ao de mãe, não paro, transpiro por dentro, sinto-me tão mas tão cansada. E pior, sinto que nesta correria, deixo tudo a meio. Não sou boa mãe. Não sou boa mulher. Não sou boa amiga nem se quer boa profissional. Também não sou má. Mas, foda-se, sinto que não sou boa em nada.
E por isso corro, e corro, fecha a cortina, abre a cortina, e eu a correr sem nunca chegar a porra de meta nenhuma. De ombro encurvados, física e moralmente.

Tenho mesmo de endireitar as costas. Ombros para trás, queixo para cima. 

segunda-feira, 16 de março de 2015

Sento-me na areia. O meu marido pega no mais velho pela mão e leva-o a molhar os pés. O que, invariavelmente, significa acabar em cuecas a rebolar no fim da ondas em pleno mês de março. Fotografo o momento. Ao meu lado o pequenino experimenta a areia pela primeira vez com as mãos. Primeiro a medo. Depois com fome (bendita chucha). Fotografo o momento. Abro a caixa dos morangos. Sentamo-nos  no tapete azul ao sol a comer fruta de verão, num dia de inverno na praia. Fotografo o momento. Não quero que nada me escape. Os refegos do pequenino cheios de areia. A barriga do mais velho a escorrer morango. O sorriso do meu marido de calças arregaçadas.
Ando triste. Que ando. Por isso fotografo insistentemente aqueles segundos bons, numa tentativa de os reter para sempre, para não me esquecer quando a vontade de chorar vier com força.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Privatizei o blog. Por um lado tenho pena, nunca tive nada a esconder. Continuo a não ter. Mas quero continuar a por a alma nas letras sem medo.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Então foi assim

(um dois três, inspirem fundo que esta merda não vai ter pontos finais)

Há um ano foi assim, e, para não quebrar a tradição, este ano começamos com um febrão descomunal, toca de adiar a festa para o fim de semana seguinte, quinta fico em casa com o meu adolescente mais velho, muito colo, ida ao médico e mimo, o pequenino de olho negro, cabrãozinho amoroso, está numa fase de estalo, mas não se dão estalos a bebés, isto porque grunhe o dia inteiro parece um gremlin árabe, e de noite resolveu que é fixe chorar de hora a hora, chega sexta, venho trabalhar com vagas horas de sono, toda fodida da cabeça, de manhã para marcar as minhas férias tenho de enviar o mesmo mail 5 vezes, pareço anormal ora sem anexo, ora com anexo errado, ora com datas erradas, passa-se o dia, chego de gatas a casa, salpico febril e carente, Manuel rabugento e babado, só quero que o meu adónis chegue, estou quase a trancar-me na casa de banho de fones nos ouvidos a cantar bem alto ESTAVIDANÃOÉMINHAESTAVIDANÃEÉNHA, liga adónis, tou sem carro, não pega, chega tarde e exausto, passa-se a noite, devagar devagarinho, interrompida de hora a hora a hora, sábado de manha sai adónis para tratar do carro, fico sozinha com as pestes, salpico febril e carente, Manuel começa a ficar quentinho, oh diabo OH DIABO PARA NÃO DIZER OH CARALHO, o dia avança e chega finalmente a noite, ponho benuron no Manuel, deito-o, e janto, eis se não quando Manuel desata-me num berreiro, mas berreiro de o ter de virar de cabeça para baixo para voltar a respirar, nada o acalma, choro gritado olhar fixo na parede, cagaço da vida, o que tens puto, ligo para a saúde 24, mandam-me recambiada para as urgências, Manuel adormece ao colo do pai, achas que ainda valer a pena ir? Acho, acho mesmo, e vamos, pomos o puto no ovo e ele abre um olho escuro e esperto, o meu coração para, ai que me vai aos berros até ao hospital, mas não, ri-se o cabrão, chegamos às urgências e sou recebida com um abraço pela mesma medica que o havia internado com tosse convulsa há uns meses atrás, então o que a traz por aqui, e eu embaraçada, olhe que pareço doida mas juro que ainda há pouco achava que o puto tinha sido possuído por um demónio maléfico, dispa-o lá então, e eu dispo aquele gorducho, de bochecha rosada, boca escancarada a exibir os dentinhos novos e um sorriso angélico, ai que vergonha, cabrão do puto, medica observa, vê tudo, e ele dá às pernas e aos braços, ri-se, mamamamama, só gracinhas o estupor, bom, não vejo nada, se calhar foi uma cólica, e eu, pois, se calhar, voltamos para casa, três da manhã, durmo três horas interrompidas, 6.30 canto os parabéns ao meu salpico, meu amor grande, meu miúdo de 4 anos, e ele de riso envergonhado, diz-me que não senhora, sem insuflável e coijas boas não faço anos. Tudo bem meu amor. Celebramos, se deus quiser, no fim de semana que vem.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A minha primeira barriga vai fazer quatro anos... Quatro. A minha segunda barriga já tem a mania que tem vontade própria e tem dois dentinhos.
A minha primeira barriga, aquela explosão de sentimentos, totalmente aleatórios, completamente absurdos, faz quatro anos no domingo que vem. 
A minha segunda barriga ri-se com gargalhadas e faz burrico velho. Querido pá...
As minhas duas barrigas já começam a comunicar um com o outro. Oia maneli. Axim vomitas, não chores que estou aqui. E ele responde com um grunpfgrnhau. E eu, da porta da rua, faço de voyeur e pergunto-me quando foi que isto aconteceu, isto do tempo lhes dar tamanho e vontade?...
A minha primeira barriga come-me com beijos, tem um complexo de édipo apaixonante, é vagamente piegas e estupidamente cômico. E faz já, no domingo que vem, quatro anos. E a minha segunda barriga vai estar cá para lhe soprar pela primeira vez de muitas as velas de aniversário.